São Paulo - Ele é o nosso Devendra, o nosso Alex Ebert (de Edward Sharpe and the Magnetic Zeros). Trata-se de José Paes de Lira, o Lirinha, duelista pernambucano que passou 13 anos atiçando as brasas da MPB indie nacional com sua finada banda Cordel do Fogo Encantado.
Um ano depois de fechar a lojinha do Cordel, Lirinha voltou à baila semana passada dando vazão na internet ao disco ''Lira'', um coquetel de lírica & pedais que segue disponível inteirinho no site do cantor e compositor (http://www.josepaesdelira.net/). De vez em quando a música brasileira gesta um disco assim, com esse grau de delírio e modernidade.
Lirinha lança-se numa marcante aventura nas águas da baixa tecnologia e das linguagens sintéticas. ''Eu sou feito de distorção e mau contato'', canta o artista, na faixa ''Eletrônica Viva'', abraçando os privilégios da precariedade.
Lirinha tem uma lírica de grande impacto e sua poesia é visionária e invulgar. Sua formação parece desenrolar um novelo que contém Paulo Leminski, William Blake, João Antônio, Raduan Nassar e Patativa do Assaré.
Muita gente conhece Lirinha como ''aquele músico meio hippie que foi casado com a Leandra Leal''. Ok, é uma referência. Mas o pernambucano começou a carreira aos 12 anos, declamando em Arcoverde, a quase 300 quilômetros da capital. Foi ali que, uma vez, Maurício Kubrusly baixou com sua caravana fantástica de descoberta do Brasil profundo e pôs o som do Cordel Encantado em horário nobre na Globo. Em 2001, sua banda chegou ao extinto Free Jazz Festival, a mais importante mostra de música àquela altura.

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