Os cozinheiros sempre tiveram uma certa obsessão em transformar. Criar através dos alimentos mais toscos, caldos sutis, molhos finos, beberagens e pós que seduzam o paladar, sem que se suspeite o ingrediente principal. O liquidificador, nas modernas cozinhas, foi o invento que veio a calhar para esse papel. Se não fosse movido a energia elétrica seria perfeito. Pena que essa engenhoca xiliquenta, como todas de sua família de eletrodomésticos, jamais funcionará sem o cordão umbilical do fio e da tomada.
Os primeiros aparelhos ainda tinham o charme que confere o designer, eram de alumínio ou aço, e eram feitos para durar toda uma vida, pelo menos suas carcaças. Da estirpe dos isqueiros americanos (como os da marca Zippo) nunca negavam fogo, a não ser, claro que faltasse energia elétrica. Quando isso acontece nos dias de hoje, ainda temos que recorrer humildemente a seus ancestrais mais primitivos: o pilão ou almofariz, as peneiras, os funis. Mas sem dúvida, depois que mais esse instrumento barulhento entra em nossa cozinha e culinária, não passamos mais sem ele. Com ele, num piscar de olhos podemos fazer o bolo maravilhoso da receita a seguir:
Bolo de fubá turbinado
3 ovos/ 1 copo de açúcar/ 2 copos de farinha de trigo refinada/ 1 copo de farinha de milho ou fubá/ 1 copo de leite/ 3 colheres de manteiga/ 1 pacote de queijo ralado/ 1 colher de sopa, rasa de fermento em pó.
Bata tudo no liquidificador, espalhe em assadeira untada com óleo e polvilhada com farinha. Leve para assar até que enfiando os dentes do garfo ou palito, estes saiam secos.
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Maria de Los Angeles é chef de cozinha do restaurante Paella Como Te Gusta e colaboradora da Folha

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