Os olhos azuis vibrantes e a força do discurso de Bruna Linzmeyer impressionam. Ainda mais em uma jovem de pouco mais de 23 anos. A empolgação se justifica no fato de que foi a partir do deslanchar de sua carreira na televisão que a intérprete da passional Belisa, de "A Regra do Jogo", realmente se encontrou na vida. "Sempre fui aquele tipo de menina com muitos planos e vontades. Viajar, conhecer e achar meu lugar no mundo estavam entre as minhas maiores necessidades. A profissão e as oportunidades que estou tendo me deram muitas respostas", analisa.
Tudo na vida de Bruna acontece de forma mais "alternativa" possível. E o papel na atual novela das nove segue esse padrão. Escalada para a trama desde o final de "Meu Pedacinho de Chão", de 2013, a atriz foi pega de surpresa durante uma conversa informal com a diretora de núcleo Amora Mautner. "Estávamos em uma festa e ela me disse que tinha um papel para mim. Belisa está na minha cabeça há muito tempo. Foi bom maturar ideias e caminhos para essa personagem", explica.
Durante o período de construção, a dualidade da personagem se tornou uma espécie de diretriz para Bruna. "Belisa se escora na agressividade e na fragilidade. Ela é um reflexo da mãe, que sofre de transtornos de personalidade. Ela nasce da falta de estrutura", analisa.
Para a atriz, os dilemas e a caracterização da personagem dão continuidade ao esquema diverso e livre com que tem escolhido seus trabalhos. Descoberta por Luiz Fernando Carvalho, em 2010, para viver um papel de destaque na minissérie "Afinal, O Que Querem as Mulheres?", Bruna aprendeu com o diretor uma forma eficaz de selecionar seus papéis. E jura que o processo tem dado certo e, sobretudo, lhe trazido convites dos mais diferentes núcleos de dentro da Globo. "Eu não preciso ser próxima da personagem e nem ela de mim. Mas preciso conhecê-la bem, como se fosse minha melhor amiga. A partir dessa identificação é que vou saber se a emoção dela me toca, me atinge. Eu busco a emoção, sempre", ensina a atriz, que, em pouco mais de seis anos de carreira, já trabalhou em produções de Gilberto Braga, Walcyr Carrasco, Daniel Filho e Mauro Mendonça Filho.
Natural da pequena Corupá, interior de Santa Catarina, Bruna começou a carreira de atriz de forma despretensiosa. Após participar de alguns concursos de beleza e trabalhar como modelo em publicidade, resolveu investir em um curso de teatro. A ideia era apenas fazer peças esporádicas na companhia dos amigos. No entanto, acabou tomando gosto pelos palcos e se transferiu para São Paulo na busca por novas vivências. "Tinha acabado de fazer 18 anos e precisava expandir meus horizontes", conta.
Pouco tempo depois, acabou recebendo o chamado de um teste para "Afinal, O Que Querem as Mulheres?". "Foi uma estreia nada planejada, mas onde tudo aconteceu de forma muito proveitosa. Hoje, mantenho uma relação muito saudável com a tevê, onde transito por produções comerciais e mais artísticas de forma suave", comemora.

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