É uma paradoxo cultural digno de Macunaíma. Apesar da melhora considerável no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e da estabilidade econômica do País, o brasileiro está lendo cada vez menos. Duas pesquisas distintas, divulgadas recentemente pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) e pelo Instituto Pró-Livro, revelam, nas entrelinhas, cenários preocupantes para o futuro do mercado literário no Brasil.
Segundo o último levantamento da ANL, o mercado livreiro (avaliado em R$ 2,2 bilhões) entrou em queda livre nos últimos quatro anos, atingindo um crescimento de apenas 5,26% em 2011, bem abaixo da inflação. Com a queda na venda de livros, o número de livrarias que fecharam suas portas também aumentou em cerca de 5%, fato que aprofundou ainda mais o déficit brasileiro em relação à meta estabelecida pela Unesco - que recomenda a relação de uma livraria para cada 10 mil habitantes. Hoje são 3.481 livrarias no País, com uma proporção nacional de apenas uma para cada 55 mil cidadãos. A distribuição geográfica das lojas também é altamente irregular: a região Sudeste concentra 52% do total de livrarias, e 390 delas ficam na cidade de São Paulo.
Londrina não foge à média nacional. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) tem ao todo 10 livrarias associadas. A associação não divulga quais empresas são essas, por isso não é possível fazer uma análise do perfil desses estabelecimentos. Mas para uma cidade com uma representativa população universitária, ter uma livraria para cada 50 mil habitantes é no mínimo vergonhoso.

Desinteresse
Os índices ruins do mercado parecem refletir diretamente o desinteresse da população brasileira com a leitura: segundo a 3 Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Ibope Inteligência, a parcela de leitores brasileiros caiu de 95,6 milhões (1997) para 88,2 milhões (2011) e, apesar do aumento da renda per capita, o índice médio de leitura no País diminuiu de 4,7 para apenas 2,1 livros lidos ao ano.
A redução da leitura de livros também foi considerável entre crianças e adolescentes no período escolar nos últimos anos. Em 2011, crianças com idades entre 5 e 10 anos leram 5,4 livros/ano (em 2007, a média era de 6,9). A diminuição comparativa do hábito da leitura também ocorreu entre os pré-adolescentes de 11 a 13 anos (6,9) e entre adolescente de 14 a 17 (5,9).
Para garantir a sobrevivência do setor livreiro, a Associação Nacional das Livrarias aposta na implementação de duas ações emergenciais: a lei do preço único (que obriga a venda das obras pelo mesmo valor em todas as lojas, o que aumentaria a competitividade de pequenas livrarias) e a regulamentação do comércio de livros digitais. Pesquisas apontam que o mercado dos e-books ainda é praticamente inexplorado, e pode vir a ser uma das grandes fontes de renda no futuro. De 89% dos livreiros que ainda não vendem e-books, 62,5% esperam fazê-lo ainda neste ano. (com Agência Estado)

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