Linhas bem traçadas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Silvana Leão 
Era um sábado de manhã, estava hospedada na casa de um amigo e não havia muito o que fazer. Resolvi então sentar e começar a escrever. Perdi a noção do tempo... Assim nasceu o livro Caminhando ao Lado do Sol, que a ex-jornalista Vera Laufer lança hoje, às 20h30, no Centro de Convivência do Londrina Country Club. Definida por ela como um romance de uma moça um pouco doida, a obra conta, em 177 páginas, passagens da vida sempre agitada de Vera.
Nascida em Budapeste (Hungria), a autora passou parte da infância na Itália. Depois da guerra mudou-se para o Brasil, de onde só saiu para as muitas viagens pelo mundo. Morando atualmente em Curitiba, onde tem uma empresa de representações, a ex-mulher do estilista Hugo Castellano fez parte, durante vários anos, do que ela chama de um clã muito especial, formado por atores, arquitetos, costureiros e jornalistas, entre outros badalados profissionais. Eram pessoas sempre convidadas para os principais acontecimentos sociais, por serem o enfeite do bolo destas ocasiões.
Entre uma festa e outra ao lado de nomes como Cacilda Becker, Bibi Ferreira, Paulo Autran e Raul Cortez, Vera Laufer escrevia sobre moda ou estava envolvida com a organização de eventos. Como a Fenit de 62, que graças a ela contou, pela primeira vez, com a participação de estilistas italianos (inclusive Castellano, com quem viria a se casar).
No livro Caminhando ao Lado do Sol - que contou com o incentivo de Gianfrancesco Guarnieri, o amigo que a hospedava no dia em que a obra começou a ser escrita - a maioria das personagens aparece com o nome real. Apenas seu próprio nome e o de Castellano foram substituídos por Emma e Roberto, respectivamente. Na orelha do livro, Guarnieri afirma que Vera preferiu criar uma personagem de ficção que por não ser ela própria lhe permite que o seja, quando quer, como quer, como realmente foi ou gostaria que fosse.
Caminhando... aborda, entre outros temas, o bissexualismo e o homossexualismo, numa ânsia da autora - que vivenciou-os muito de perto - de despi-los de qualquer tipo de preconceito. O sexo é algo tão complicado e tão pessoal que cada um deve resolvê-lo sem fazer alarde. A preferência de cada pessoa não interessa aos outros, afirma, lembrando que jamais perguntou a um de seus amigos com quem preferia dormir.
E aproveita para dar uma lição de etiqueta: Existem três coisas que não se deve perguntar a alguém: a religião, com quem faz sexo e quanto ganha. O lançamento do livro de Vera Laufer acontece durante coquetel por adesão, que terá parte da renda revertida para a Campanha de Natal do Provopar, para compra de alimentos e brinquedos que serão doados a crianças carentes. Os presentes ao coquetel também poderão ouvir a palestra Por Que Envelhecemos Antes do Tempo, com o médico Luiz Carlos da Silveira, diretor proprietário da Clínica KUR, de Gramado (RS).


