Língua de trapo
Leandro Calixto
TV Press
Fazer fofoca da vida dos artistas virou epidemia na tevê. Praticamente todas as emissoras contam com um bisbilhoteiro de plantão. Mas o pioneiro entre os colunistas eletrônicos é o jornalista Nelson Rubens. E ele garante não se incomodar com o rótulo de fofoqueiro. Muito pelo contrário. O criador do bordão Eu aumento, mas não invento, demonstra orgulho com o título. Sou o professor de todos que estão aí, gaba-se. Com mais de 20 anos de carreira, Nelson é responsável pelos maiores picos de audiência do Note & Anote. Quando ele entra no ar, o programa da Record chega a pular de cinco para até dez pontos no Ibope.
Tanto que a Record estuda criar um programa solo para Nelson Rubens antes do próprio Note & Anote. A intenção é fazer uma produção diária de 30 minutos relatando e explorando casos de separação, brigas, namoros de artistas, entre outros mexericos. Hoje em dia, todo mundo quer saber da vida dos artistas. Virou uma febre, valoriza o fofoqueiro, que chegou a ficar um mês apresentando um programa do gênero nas tardes de domingo na própria Record. Mas, por falta de estrutura, acabou saindo do ar.
O jornalista começou a carreira num quadro da antiga TVS, do Rio de Janeiro. Depois, se transformou em jurado do extinto Show de Calouros, programa comandado por Sílvio Santos. No início da década de 80, ele ainda teve uma passagem pela Discoteca do Chacrinha como jurado e também produtor do Velho Guerreiro. Tive a honra de trabalhar com os dois principais comunicadores deste país.
Alguns artistas andam reclamando que estão tendo a privacidade invadida por parte dos colunistas eletrônicos. Você concorda com isso?
Eu, pelo menos, procuro dar a notícia de uma maneira elegante e, antes de mais nada, checar a informação com o próprio artista ou sua assessoria. Mas o que acontece é que existem vários artistas que posam de indignados, mas que na verdade adoram quando a gente fala deles. Eles sobrevivem da imagem. Então, fazem de tudo para aparecer na mídia, seja de que forma for. Alguns deles, que prefiro não revelar, chegam até a me ligar pedindo um espaço no programa.
A que você atribui esta proliferação de fofoqueiros na tevê?
A necessidade do público de saber da vida dos artistas é impressionante. Onde vou, tem gente me questionando sobre quem está namorando fulano ou beltrano. Antigamente, o público só tinha acesso a este tipo de informação através dos jornais. Já a tevê, que passou a dar um grande espaço para este tipo de assunto, é um veículo mais democrático, que atinge todas as classes sociais. Tanto que praticamente todas as emissoras têm um fofoqueiro de plantão.
Nestes quase 20 anos de carreira, você passou por alguma saia-justa depois de anunciar uma fofoca?
Recentemente, a cantora Ivete Sangalo chegou a me cobrar durante a festa da Sasha, filha da Xuxa, de uma fofoca que fiz dela. Ela chegou perto de mim e disse: Você não está apenas aumentando. Você também inventa. O que aconteceu é que eu havia antecipado o namoro dela com o apresentador Luciano Huck. Mas depois tudo ficou resolvido.Com o bordão eu aumento, mas não invento, Nelson Rubens se mantém no posto de maior fofoqueiro da televisão brasileira
Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasNelson Rubens: É impressionante a necessidade do público em saber da vida dos artistas





