Lima - Lima é uma corruptela da pronúncia espanhola do nome do Rio Rímac, que corta a cidade e passa atrás do Palácio do Governo. Rímac é uma palavra indígena que significa ''falante ou falador'', numa referência ao barulho que o rio fazia quando não era canalizado. A capital peruana foi fundada em 18 de janeiro de 1535 pelo conquistador Francisco Pizarro. Sua posição era estratégica para os espanhóis, já que o seu porto fica no centro da costa do país.
Ela tem problemas típicos de outras capitais sul-americanas. O mais evidente deles é a excessiva concentração populacional 7,5 milhões de pessoas, ou mais de 25% dos 27 milhões de peruanos, vivem nela e nos arredores. E um tráfego complicado, com taxistas acelerando muito seus velhos carros japoneses e coreanos e buzinando sem parar. O Peru, terceiro maior país da América do Sul, atrás de Brasil e Argentina, com quase 1,3 milhão de quilômetros quadrados, tem uma economia cerca de oito vezes menor que a brasileira. Um dado preocupante é que 55% da População Economicamente Ativa tem ocupação informal.
A população mistura índios, mestiços, descendentes de europeus e, em menor escala, negros e descendentes de chineses e japoneses. Além do espanhol, o idioma quíchua é falado na maioria das cidades dos Andes.
Para os peruanos, o Brasil é o vizinho rico. ''Vocês, brasileiros, têm indústrias, e elas fazem a diferença'', comenta um taxista. ''Nós não temos, e precisamos importar até alimentos''.
De fato, o Peru só cultiva 5% de seu território e o problema da água é crítico em grande parte do país. Por incrível que pareça, em Lima não chove. Só durante o verão ocorrem chuviscos.
Como toda cidade colonizada pelos espanhóis, Igreja e Estado estão visualmente associados na elaboração do projeto urbano. O setor velho de Lima tem ruas estreitas, calçadões, algumas casas decrépitas e outras muito bonitas e conservadas, comércio ativo, ambulantes, garotos pedindo um trocado e muitas igrejas.
A Catedral de Lima é grandiosa e suas portas trabalhadas de madeira são sensacionais. Já a Igreja de São Francisco é belíssima e exibe pátios com azulejos espanhóis. Ela abriga um convento, é sede do Museu de Arte Religiosa e foi construída sobre uma rede de galerias, ou catacumbas, abertas à visitação. O local é lúgubre e belo. Não há ventilação e o ar tem um cheiro levemente desagradável. Mas como o trajeto é curto, vale a visita.
Miraflores é um dos bairros elegantes e Barranco, o reduto da boemia. Arborizado, Miraflores tem vários parques, galerias de arte, hotéis, bares e restaurantes. Vá ao Parque do Amor, um mirante ajardinado com vista para o Pacífico. Quando as limenhas se casam, costumam ir lá para serem fotografadas com o vestido nupcial. E no vizinho bairro de Barranco fica a Ponte dos Suspiros. Diz a tradição que se alguém prender a respiração e conseguir atravessar a ponte de madeira sem respirar terá um desejo atendido. Lá também ficam vários museus, como o Galeria de Arte Popular de Ayacucho. (S.M.)

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