'LIGEIRINHAS' RECOLHEM O LIXO DA FOLIA
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Francelino França De Londrina 
Londrina cede passagem para o lixo reciclado. No Autódromo Ayrton Senna, o sambódromo londrinense, 10 mulheres trabalharam em tempo integral neste carnaval recolhendo material reciclável (latinhas, papel e vidro). A iniciativa tem como traço fundamental o resgate da cidadania das mulheres. O grupo recebeu o nome de Usininha e as integrantes passaram por oficinas preparatórias sobre direitos trabalhistas, higiene, limpeza e lixo reciclado como geração de renda. As oficinas foram viabilizadas pela Secretaria Especial da Mulher, AMA, Codel e CMTU.
O objetivo do projeto é aglutinar mulheres que já trabalhavam com o lixo reciclado, numa proposta sócio-ambiental. As integrantes possuem um conhecimento prévio do que é material de 1ª e 2ª. O projeto parte do conceito do lixo virar renda e proporcionar qualidade de vida para os excluídos, trabalhando com a reciclagem de lixo produzida por qualquer espécie de aglomeração urbana, explica Maria Angélica Abramo, responsável pelo grupo. Nesse carnaval, a presença constante das mulheres incentivou o público a participar da iniciativa, não jogando lixo na pista, ou levando o lixo diretamente no QG das mulheres.
Trabalhando de forma organizada, o grupo pretende arrecadar um volume maior de recicláveis a um preço mais elevado (60 latinhas rende 1 kg). Com isso, a renda semanal de cada integrante do grupo deve saltar de R$ 60 para R$ 180, com a eliminação da figura do atravessador. O próximo passo é listar os eventos de grande porte da cidade corridas, futebol, Exposição Agropecuária para otimizar o trabalho da Usininha.
Moradora do assentamento São Marcos (Zona Sul), Maria Aparecida Lopes obtém uma renda mensal em torno de R$ 200 e está confiante em poder suplantar esse valor. Essa organização foi boa para as mulheres que trabalham com reciclagem se conhecerem e também não irem para o lixão, atesta. A integrante mais idosa do grupo, Aparecida Euzébia Francisca, 61 anos, por recomendação médica começou a caminhar. Sofrendo com a hipertensão, ela encontrou uma solução melhor para as caminhadas, recolhendo material reciclável. Só ando de manhã cedo e à tardinha. O dinheiro que eu consigo dá para comprar umas verduras, diz. Agora, na Usininha, pretende realmente incrementar a renda familiar.
O material reciclado arrecadado durante o carnaval será comercializado e dividido igualmente entre o grupo. Com o sucesso do empreendimento, as organizadoras e participantes vislumbram criar uma ONG e confeccionar adereços femininos feitos com os reciclados.


