Liga Extraordinária explora o século XX
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de setembro de 2010
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Brincar com referências em uma história não é novidade faz muito tempo nos quadrinhos. Porém, ter a habilidade para fazer isso com sofisticação e astúcia é para poucos. Um desses poucos é o chato, irritadiço e genial Alan Moore, que conseguiu, ao lado do ilustrador Kevin O'Neill, transformar ''A Liga Extraordinária'' em uma jornada literária gráfica. ''Liga Extraordinária - Século: 1910'' explora mais uma vez com minúcias a produção textual mundial, desta vez do século XX.
Só para lembrar, o grande charme da Liga Extraordinária é juntar personagens famosos da literatura em um supergrupo, que, de tão genioso que é, precisa primeiro lidar com suas próprias limitações antes de superar os inimigos. Muitas vezes os vilões estão infiltrados, de maneira direta ou indireta, entre os que seriam os heróis da história.
Criada no final dos anos 90, a série original teve como inspiração as criações de autores da Era Vitoriana, como Mina Harker (Bram Stoker), Capitão Nemo (Julio Verne), Dr. Jekyll (Robert Louis Stevenson), Allan Quatermain (H. Rider Haggard), Homem Invisível (H. G. Wells), entre outros. Essa equipe foi a protagonista de dois volumes e tanto Mina quanto Allan estiveram também no especial ''Black Dossier'', que flertou com o século XX em história com elementos de ''1984'', de George Orwell.
''Century'', que é este terceiro volume, será publicado em três capítulos. O primeiro ''Século: 1910'' sai agora, contando o início da trama, que alterna entre a preocupação de um Capitão Nemo à beira da morte; a passagem do cometa Halley e a coroação do rei George V e a formação de um sociedade secreta que planeja destruir Londres. Tudo isso com uma nova liga, formada por Mina, o rejuvenescido Allan, o ladrão reformado Arthur Raffles, o investigador do sobrenatural Thomas Carnacki e o guerreiro imortal Orlando.
Moore continua bastante detalhista com cada referência, seja gráfica e textual, e preciso no ritmo. Como este é o primeiro capítulo, as coisas acontecem um pouco mais devagar, já que fica nítida a preocupação do roteirista em encaixar a trama em tudo o que aconteceu até o momento, especialmente na dinâmica entre os personagens e o que aconteceu no intervalo entre um volume e outro.
Os desenhos de O'Neill alternam entre o caricato e o mórbido, têm a versatilidade pra reproduzir o real e explorar o fantástico de forma homogênea. Os traços finos de suas hachuras, combinadas com as cores, dão um toque especial à narrativa, bem diferente das histórias de supergrupos.
O problema deste volume, em especial, é que as referências dos autores vitorianos ingleses são muito mais conhecidas pelo público brasileiro do que as dos ingleses do século XX. Assim, várias das brincadeiras que Moore e O'Neill fazem podem passar batidas e não oferecer justamente o que é o charme da Liga Extraordinária. Talvez sejam necessários alguns comentários dos editores para ilustrar melhor o conteúdo da aventura.
A edição sai em formato diferenciado, com duas versões, uma em brochura e outra em capa dura. Os dois outros capítulos deste volume foram prometidos pela Devir Livraria para o ano que vem no Brasil.
Serviço
- Liga Extraordinária - Século: 1910
Autor - Alan Moore
Ilustrações - Kevin O'Neill
Editora - Devir
Formato - 20,5 x 27 (96 págs. coloridas)
Quanto - R$ 35 (versão brochura) e R$ 46 (capa dura)


