Líder teve 5 mil seguidores
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Jotabê Medeiros<br> Agência Estado 
Quixeramobim - Líder messiânico que prometia aos seus súditos uma terra ideal com ''rios de leite e barrancas de cuscuz'', Antônio Conselheiro teve diversos nomes, segundo o historiador José Calasans, o maior especialista no conflito de Canudos. Quando chegou aos sertões da Bahia e do Sergipe, em 1874, aos 44 anos, apresentava-se como Antônio dos Mares. Depois, Santo Antônio Aparecido, Santo Conselheiro, Bom Jesus Conselheiro.
Sua meta, na peregrinação pelos sertões, era erguer 25 igrejas. Não se sabe ao certo quantas conseguiu, mas pode ter chegado perto do objetivo. Construiu também cemitérios e cisternas de água. Em 1882, começou sua via-crúcis: o arcebispo de São Salvador da Bahia, D. Luís José dos Santos, ordenava que os vigários impedissem suas pregações.
''Condenava o luxo, preconizava o jejum, verberava contra a mancebia'', escreveu José Calasans. Chegou a reunir 5 mil seguidores em sua vila, Belo Monte, destruída pelo Exército após três incursões. Em março de 1897, seus seguidores derrotam a terceira expedição, liderada pelo sanguinário coronel Moreira César e com 1,3 mil soldados. Canudos fica conhecida como um reduto monarquista. Em outubro de 1897, Canudos é derrotada - Conselheiro morreu antes, de diarréia.
Em 2003, líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, invocou a epopéia de Canudos. ''Estamos retomando, 100 anos depois, o sonho de Antônio Conselheiro de dar a terra aos excluídos.''
Na indústria cultural, Conselheiro foi ''incorporado'' por diferentes entidades: José Wilker, Adoniran Barbosa, José Celso Martinez Corrêa o interpretaram. Adoniran chegou a encarnar o personagem para o filme ''O Sertanejo'', que acabou não sendo realizado porque sua produtora faliu.


