Líder quer formar rezadores
Líder quer formar rezadores
Janete El Haouli, coordenadora do núcleo de música contemporânea da UEL, é enfática ao dizer que a publicação do livro Kikikoi é sobre os índios kaingángs, mas, principalmente para eles. Foram eles que se propuseram a gravar as rezas em estúdio para que o ritual não se perdesse, diz.
Alguns resultados da iniciativa já aparecem - Vicente Fokãe, líder kaingáng em Xapecozinho, esteve na região de Apucaraninha (PR) para incentivar a retomada do Kikikoi. Os índios de Apucaraninha já voltaram a dançar e é possível, que no próximo ano, o Kikikoi aconteça. Fokãe também se mobiliza para criar uma escola de formação de rezadores.
Assim como os kaingángs, muitos povos indígenas estão procurando resgatar suas tradições e consequentemente, sua identidade, explica a antropóloga Kimiye Tommasino. Até 1988, o projeto do governo brasileiro era que os índios fossem integrados à sociedade, só que isso destrói sua cultura. Em todo o mundo, povos indígenas estão reivindicando seu espaço, se unindo e realizando inclusive congressos internacionais.
Ela acredita que o resgate das tradições tem importância política - seria um instrumento valioso para adquirir respeito também com relação às terras indígenas. Todos os índios brasileiros estão à margem do governo. Eles sofrem com invasões em suas áreas indígenas por posseiros e fazendeiros, e não é feito nada, já que a maioria das suas terras não estão homologadas, fala.
A antropóloga conta ainda que se, há 500 anos, eram os jesuítas que vinham converter os índios, isso não mudou muito. Hoje são várias igrejas que querem fazer a conversão dos índios, e com isso mudar seus hábitos.
Kimiye Tommasino, não é otimista em relação ao futuro dos índios. Estas comemorações de 500 anos de Brasil, por exemplo, são na verdade uma grande maquiagem. Isto poderia ser uma grande oportunidade para o governo resolver, pelo menos, a questão fundiária indígena, cobra. (C.P.)





