Líder budista defende a inter-religiosidade
Quem visita o site www.monjacoen.com.br encontra um currículo respeitável. Primaz Fundadora da Comunidade Zen-Budista do Brasil, a Monja Coen, aos 53 anos, cumpre uma agenda intensa, participa de encontros educacionais, faz palestras em universidades, promove caminhadas pelos parques públicos, onde pode ser acompanhada por adeptos de outras correntes espirituais, incluindo as afro-brasileiras e indígenas, tudo para divulgar princípios da inter-religiosidade, da não-violência e a propagação das culturas de paz. Além disso, cumpre as funções de praxe nas cerimônias do templo Tenzui Zen Dojo, localizado no bairro de Pinheiros, onde preside ordenações, enterros e casamentos. Também é membro do Conselho Parlamentar da Cultura de Paz da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
Depois dos 12 anos que passou no Japão, incluindo os três anos de mestrado da tradição Soto Zen - linha budista da qual se tornou uma representante oficial - a Monja Coen voltou ao Brasil em 1995, quando começou a liderar atividades no Templo Busshinji, no bairro paulistano da Liberdade. Ali permaneceu durante 6 anos e em 97 tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil, função que não exerce mais. Em 2001, criou seu próprio centro budista em Pinheiros, depois de enfrentar situações que a levaram a deixar a direção do templo na Liberdade.
Coen é incisiva quando afirma que embora os textos sagrados não façam diferença entre homens e mulheres, a prática nem sempre corresponde aos princípios. Quando fala sobre a situação das mulheres no contexto religioso em que vive, afirma que os cargos superiores são sempre masculinos e que isso precisa ser revisto e melhorado. Mas, com muita tranquilidade, constrói seu próprio caminho defendendo direitos iguais para ambos os sexos.
No zen budismo japonês, as monjas podem se casar e Coen - que se casou no Brasil pela primeira vez aos 14 anos e se divorciou aos 17 - repetiu a experiência no Japão onde se uniu a um monge. Desta fase ela guarda boas lembranças, considerando harmoniosa a experiência de vida em comum que durou dez anos e transformou-se com o tempo numa sólida amizade. A parceria existencial, religiosa e conjugal dos monges budistas prevê uma vida doméstica tranquila. Nos anos em que foi casada em Nagoya, ela não morou no templo, mas num apartamento com o marido que dividia com ela os trabalhos da casa. Ela diz que os monges são preparados para tudo: sabem cozinhar, lavar, limpar ao mesmo tempo em que se dedicam à religião. Mesmo assim, a diferença entre os sexos é apontada em estatísticas surpreendentes. No Japão, 90% dos monges são casados e 90% das monjas são celibatárias.
Comprometida com a inter-relação das pessoas e das religiões, a Monja Coen pode ser vista sorridente nas fotos espalhadas em jornais e revistas. No Brasil, possivelmente, seja a líder budista mais procurada pela mídia. As caminhadas zen pelos parques públicos, seguidas pelos adeptos da meditação em movimento, são seu passaporte de cidadã do mundo. Ela acredita que caminhar e respirar bem ajudam as pessoas a enfrentarem melhor os problemas do cotidiano, sendo também um caminho para o auto-conhecimento. Por onde passa deixa os ensinamentos que buscam a unidade de todas as coisas do universo e tem por hábito ler quase exclusivamente os textos budistas, uma prática incansável que a afasta de outros tipos de leitura, embora se interesse pelo conteúdo dos jornais. Resquícios da antiga profissão? Melhor perguntar para ela.
Coen adora a natureza, cuida de cinco cachorros e trata a internet como uma comprovação de que a sociedade tem que ser inter em tudo. Para essa monja moderna, os computadores são a prova física de como ''os seres humanos podem ser conectados''. Uma verdade que, por outros caminhos, ela conhece a fundo. (C.M.)
Serviço:
Palestra da Monja Coen: dia 11 de abril (sexta-feira), às 19h30, no Hotel Bourbon (Alameda Miguel Blasi, 40, em Londrina), ingressos a R$ 5,00. Dia 12 (sábado): retiro espiritual para a prática da meditação. Dia 13 (domingo): Caminhada Zen no Zerão, a partir das 9 horas (saída do Anfiteatro). A visita da Monja Coen a Londrina é uma promoção do grupo Terra Zen de meditação que se reúne aos domingos (das 16 às 18 horas) no Templo Dokozan (Rua Paranaguá, 325, em Rolândia). Informações pelos telefones (43) 3341-6425 ou 9993-1188. e-mail: [email protected]





