É complicado entender o que se passa. Hitler querendo inventar uma raça superior não poderia imaginar que ela já se acredita viva. E que tem o poder imperial sobre o mundo todo. Aquilo que fala a Bíblia de uma nação superiora, que detêm o controle sobre a vida das outras, que cultuam outros deuses e podem massacrá-los por isto. Dizem que é a extrema direita religiosa dos EUA que inspira Bush a matar os ''ímpios'' e lhes tomar suas riquezas, seu petróleo lá no Iraque. Nosso solo, nossa água no Brasil, daqui a pouco.
Com a ascensão do neoliberalismo globalizado, até que podíamos ''compreender'' nossos líderes inventando um processo imediato que maquiava a realidade para manter a moeda estável. Venderam tudo o que podiam para segurar a própria incapacidade de administrar o país. A Argentina virou um caos. Aqui já muita coisa ficou (continuará?) nas mãos do capital internacional.
Uma nota da rede de lanchonetes Mac Donald's declara que ''um boicote contra seus lanches, seria um boicote contra o Brasil, porque é uma das empresas que mais empregam no país''. Ora, se a questão é justamente essa, uma vez que a quantidade de solo fértil, riquezas naturais e a imensidão territorial nos privilegia como uma das nações mais prodigiosas do mundo. E que temos condições de criar nossas próprias condições de qualidade de vida, sem depender do favor pelo emprego de rede de lanchonetes nenhuma. As mesmas cocas, nikes, Mac Donald's, Microsofts, que se dizem sócias do Brasil, patrocinam a guerra lá no Iraque, porque sabem que o petróleo americano é insuficiente, porque gastam recursos naturais que não são seus, porque sabem que a água que tem em seu país não vai durar mais tanto tempo. Porque lhes falta sol.
Bush demonstra, com tanta falta de tato, que a era da ''diplomacia'' acabou. Ele não tem paciência para a negociação. É intolerante. Prefere impor. Como quem entra com revólver na casa do vizinho para acabar com a briga de marido que bate na mulher e maltrata os filhos. Passando por cima da justiça como quem passa por cima da autoridade da ONU. Aliás, esta devia ser instalada, como já disseram, no Rio de Janeiro, não em Genebra, na Suíça, porque, assim, pelo menos, os diplomatas poderiam curtir um pouco as belezas das praias cariocas. Uma instituição banana bem mereceria uma república de bananas.
Uma figura iminente, Deepak Chopra, diz que há meios mais criativos do que o enfrentamento bélico, como instalar CNN e MTV nas casas dos iraquianos para mostrar a eles outras formas de convivência humana. E que, ao invés da guerra, os americanos deveriam levar a Disney para Bagdá para as crianças iraquianas brincarem no parque, porque em vez de guerra, eles iriam ser levados a pensar sobre o valor da democracia. Mas isto cheira a uma ingenuidade perversa, pois é justamente sobre a questão da submissão de um país aos padrões de outro e do consumismo desenfreado que leva à ganância que esta guerra está sendo conduzida.
Mas tudo isso virou um discurso vazio e um lugar-comum nas discussões. Falar em nome da paz virou modismo: já se pode comprar camisetas, a preços promocionais, em qualquer loja de roupa jovem, em letras estampadas contra a guerra.
Maciunas, um dos fundadores do grupo FLUXUS, movimento artístico-político que teve sua atuação marcada entre o começo da década de 60 e o início da década de 70, fez um trabalho, em plena guerra do Vietnam, trocando as estrelas da bandeira dos EUA por caveiras e em lugar das listras vermelhas, dados sobre o massacre dos norte-americanos.
Aqui, entre nós, caberia uma posição ética e esteticamente artística, quer dizer, na medida em que o artista se rebela contra qualquer espécie de servilismo e conspiração contra a liberdade. Na medida em que este não se deixa tomar por nenhum tipo de hierarquia e trabalho que não venha acompanhado do prazer de criar e criticar, se assim for preciso. E, para isto, é necessário começar a desmontar certos discursos, como o da naturalidade do trabalho e do emprego repetitivo e mecânico como condição única de existência. E nos apontando o consumo como razão de nossa existência sobre a superfície do planeta.
É triste, mas as guerras servem também para mudar o comportamento da humanidade em relação à vida. Foram nestas condições que surgiram movimentos como o Dadaísmo - movimento revolucionário e inspirador de todas as rebeliões artísticas posteriores - surgido durante a primeira guerra mundial, que pregava o fim da arte diante de uma Europa em crise de valores humanos. E até mesmo a tomada de consciência dos estudantes, em maio de 68, na França. Ou os hippies, durante a guerra do Vietnã, etc. Que esta guerra estúpida nos sirva não pelo seu espetáculo terrível, enchendo nossas cabeças com informações vazias e distraindo nosso cansaço diante da tela de TV, mas para uma tomada de consciência e posicionamento sobre o destino que queremos para o nosso país e, consequentemente para toda a vida na Terra.
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