Liberdade (também conhecido como Um Só Pensamento)
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de fevereiro de 2003
De Paul Eluard 
Nos meus cadernos de escola
Minha carteira e nas árvores
Nas areias e na neve
Gravo o teu nome
Em cada página lida
Em cada página em branco
Papel pedra sangue ou cinza
Gravo o teu nome
(...)
Nas maravilhas das noites
Ou no pão branco dos dias
Nas estações em noivado
Gravo o teu nome
Nos meus farrapos de azul
No charco que é sol mofado
No lago que é lua viva
Gravo o teu nome
(...)
Nas formas resplandecentes
Ou no carrilhão das cores
Na simples verdade física
Gravo o teu nome
Nos atalhos acordados
Nas estradas desdobradas
Ou nas praças transbordantes
Gravo o teu nome
(...)
No meu cão guloso e terno
Na sua orelha espetada
Na sua pata sem jeito
Gravo o teu nome
(...)
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Gravo o teu nome
Nos meus refúgios destruídos
Nos meus faróis destroçados
Nas paredes do meu tédio
Gravo o teu nome
Na ausência sem mais desejos
Na solidão toda nua
Em cada degrau da morte
Gravo o teu nome
Graças a uma só palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para conhecer-te
E chamar-te
Liberdade.
Tradução de Guilherme de Almeida
(in ''Poetas de França'', Companhia Editora Nacional, 3 edição, 1958)


