ReproduçãoÉ só sair um solzinho que a gente sente vontade de ter mais liberdade, de por o pé na estrada, meio sem destino, dividindo os sonhos com alguém. Verão combina com bicicleta que para muita gente é uma grande companheira de aventuras. Em Maringá, cidade plana, existem milhares de ciclistas e no verão eles tomam conta das ruas. As bicicletas levam muitos ao trabalho, a um passeio no parque, garantem a paquera nas praças. Transportam a criançada para a escola, agilizam a vida dos office-boys e são aliadas nas aventuras dos bikeiros radicais.
Duzentos e oito anos depois de ter sido inventada por um conde francês, e aperfeiçoada por um barão alemão, o celerífero (seu nome original) deixou a nobreza e passou por inúmeras transformações. Hoje, veículo popular, ganhou até alguns apelidos carinhosos como magrela, camelo (não bebe gasolina), Maria-pedal, bici, bike. Seu formato também tem passado por metamorfoses. A primeira, em madeira, quase não saia do lugar. Hoje, levezinhas elas voam e podem ser facilmente transportadas. Existe um modelo para cada atividade e para todos os bolsos. As de maior velocidade podem custar até R$ 5 mil. E as mais simples, meio pesadinhas e sem marchas, compra-se a partir de R$ 60,00.
Mountain bikerO secretário maringaense de Desenvolvimento Urbano, Carlos Eduardo Schwabe, 37, pedala desde os 4 anos. Ele é presidente do Clube Maringaense de Ciclismo, que em dois anos de existência já é um dos mais premiados do Estado. Competindo desde 92, na categoria master, Schwabe foi campeão em 93 e 94 no Paranaense de Mountain Bike. Ele faz cross country - corrida em terra com obstáculos naturais - salta pedra, encara subidas, atravessa matagais e muito barro sobre a sua 24 marchas. Ela tem pneus grossos com cravos para andar na terra. Por isso tem que ser leve, feita em alumínio, titânio e fibra de carbono, pesa no máximo dez quilos. ‘‘É uma paixão. Tenho três bicicletas e pedalo todos os dias, mesmo quando estive de braço quebrado. Ficar sem pedalar é impossível. Sempre dou um jeitinho’’. Schwabe garante que isso é muito saudável. ‘‘Além do lazer mantém a forma física por causa do exercício aeróbico, melhora a circulação sanguínea, a capacidade pulmonar, combate o estresse e ajuda a gente a se desligar totalmente dos problemas’’.
Os fora da leiHoje, o Brasil é um dos recordistas mundiais em acidentes de trânsito. Em 1997, somente na capital paulista, 800 deles envolveram ciclistas, 68 morreram. Por isso, a nova lei determina o uso de capacete, espelho retrovisor, buzina, faróis, sinalização diurna e noturna dianteira e traseira, e olho-de-gato nos pedais, além de óculos de proteção e luvas. Agora, estes acessórios estão em falta em algumas cidades por causa da grande procura.
Em Maringá, as ruas estão coalhadas de bicicletas e é grande o número de acidentes. Somente em 97 aconteceram 203 casos envolvendo ciclistas. Em julho foram 25. Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito, tenente Ademar Paschoal as causas são desinformação e negligência. ‘‘Por não serem alvos de fiscalização cometem vários abusos. Avançam o sinal, andam na contramão, sobre a calçada. Eles negligenciam toda a legislação de trânsito. A maioria, principalmente formada por jovens nem conhece a lei e circula imprudentemente nas grandes vias públicas’’. O comandante tem uma solução: ‘‘Tem de haver fiscalização. Furou sinal, o ciclista será abordado pelo policial, que apreenderá a bicicleta . Depois o infrator deverá passar por um curso de conhecimento do código de trânsito’’, diz o tenente. Ele acha ainda que para poder conduzir veículos em vias públicas deveria ser estipulada uma idade mínima, um curso com noções básicas de trânsito e um sistema de licenciamento do veículo. O tenente afirma que a maioria dos jovens, sente vergonha de cumprir a lei. ‘‘O ciclista de antigamente fazia sinalização com o braço para entrar a direita e facilitava a orientação dos outros motoristas. Hoje eles dizem que é cafona, coisa de velho e que não querem pagar este mico. Assim colocam em risco a segurança de próprio ciclista e da comunidade’’.
O técnico em eletrônica Juliano Bertin, de Paranavaí, equipou sua bibicleta Fausto Copy, italiana com peças japonesas e americanas, e está dentro da lei. Ele colocou luz traseira, espelho retrovisor esquerdo angular, luz de freio, seta direita, esquerda e alerta piscando, farol de milha, buzina dupla de moto e bateria com carregador, velocimetro computadorizado, suspensão dianteira e no guidom. Tudo isso pensando na sua segurança. ‘‘Nem sabia da lei mas achei conveniente para andar com ela na estrada de madrugada’’, diz Bertin que em três meses já rodou 5 mil quilômetros para prevenir-se contra infarto.

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