Inovar em teledramaturgia soa quase como utopia. São tantas histórias contadas em novelas que é praticamente inevitável se repetir nas temáticas, nas abordagens, nos perfis de personagens e nas escalações. Dentro desse contexto, "Liberdade, Liberdade" até conta com um trunfo importante: o período em que se passa a trama foi pouco retratado nos folhetins. Sem abusar do tom professoral, a produção aborda a época do Brasil Colônia. Mas não chega a detalhar historicamente os fatos e passa longe de um didatismo chato, o que poderia ser sua armadilha.

Na verdade, a novela é mais uma história de amor que ganhou figurinos de época e uma heroína com toques de modernidade – para conquistar a empatia do público. E Andreia Horta combina perfeitamente com o papel de Joaquina. A atriz tem uma força cênica que faz com que seja fácil acreditar naquela personagem. Assim como Mateus Solano na pele de Rubião, que "entorta" a novela para seu lado toda vez que aparece.

No outro vértice do triângulo está Bruno Ferrari, que interpreta o mocinho Xavier. Ao lado de Andreia, Solano e Nathalia Dill – que vive a mimada Branca –, o ator está apagado. A impressão que dá é que poderia ser qualquer intérprete em seu lugar. Talvez pela falta de carisma de Ferrari ou pela falta de enredo consistente do personagem. Mas fato é que uma aproximação mais intensa com Joaquina, prevista desde o início da novela, está demorando muito para acontecer. Tem faltado conflito amoroso nesse núcleo há vários capítulos.

Mas o que não falta na novela são cenas de ação. Muito bem dirigidas, as sequências dão ânimo à história. Assim como as cenas de sexo, que são elegantes e fogem da vulgaridade, apesar de haver uma liberdade maior no horário.

Entre belos cenários, figurinos pomposos e fotografia de cinema, "Liberdade, Liberdade" faz uma mescla interessante entre fatos históricos e ficção. Mas no fundo é mais um folhetim clássico em que a mocinha e o mocinho serão felizes no final.

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