Arnaldo Jabor já foi socialista. Com a queda do muro de Berlim, seu romantismo político tomou o rumo da social-democracia. ‘‘Já acreditei no socialismo como religião, mas ele não dá conta da complexidade do desejo humano’’, argumenta. Para Jabor, é preciso deixar a vida se expressar um pouco sozinha, sem interferências do Estado. E cita o filme ‘‘Guantanamera’’, de Tomáz Gutierrez Alea, como um bom exemplo de que o socialismo está superado.
Jabor diz sentir-se livre para elogiar e criticar o governo Fernando Henrique Cardoso. Ele afirma que é um governo que tem uma agenda correta, apóia a estabilização da economia, a reforma do Estado, mas Jabor tem lá suas críticas. ‘‘Falta uma política industrial e comercial um pouco mais clara para impedir os excessos desse processo de abertura liberal’’, afirma, citando o perigo de se criar novos monopólios privados.
Arnaldo Jabor reativa sua metralhadora verbal para atirar farpas contra o Congresso ‘‘corporativo e escroto’’, contra o Judiciário ‘‘reacionário’’ e contra aqueles jornalistas que o criticam quando ele elogia o governo. ‘‘Dizem que, se falo bem do governo, sou vendido. São uns imbecis que não percebem que a liberdade é poder se posicionar contra ou a favor’’, detona.

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