Liberdade da capoeira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A capoeira é o próprio advento da liberdade em que a mãe é a Angola - a primícia de todas as capoeiragens - e o pai, o berimbau, que para os capoeiristas é o verdadeiro mestre. Essa mãe tem filhos espalhados pelo planeta. A arte que foi arma de luta dos escravos, preparando o caminho para a liberdade, também pôs no mundo as outras linhagens de capoeira, que nasceram do seu ventre. O baiano Mestre Pastinha foi um desses primeiros filhos e, apesar ter sido responsável por manter viva as raízes da capoeira, morreu na miséria aos 92 anos de idade, mas o seu nome se tornou uma lenda.
Discípulos dele, como o capoeirista e poeta Boca Rica é um dos convidados da 7 Oficina de Capoeira Angola, realizada de hoje a domingo, na Vila Cultural Brasil. O ano que vem será o dos 120 anos de nascimento de Pastinha, data simbólica já que em 2008, o Brasil comemora os 120 anos da libertação dos escravos. A sétima oficina é uma oportunidade para os admiradores da capoeira conhecerem a arte, através do jogo dos descendentes do príncipe negro baiano, que tinha como conselheiro o pai berimbau.
Além de Boca Rica, ministram oficinas os mestres Plínio e Everaldo dos Santos (Zoinho), Jurandir dos Santos e Nani, do Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), que dão continuidade ao trabalho de João Pequeno - o mais importante capoeirista vivo, descendente direto da árvore genealógica de Pastinha, que fundou a mais antiga academia de capoeira Angola do País, em 1941.
O organizador do evento Thyago Bezerra destaca que são esperados capoeiristas de vários estados brasileiros. ''Londrina tem bastante capoeiristas, mas o número que pratica a Angola é menor que a Regional e a de Rua. As oficinas promovem um encontro e troca de experiências entre os adeptos'', ressalta Bezerra.
Ele acrescenta que, nos últimos anos, o movimento de capoeira londrinense cresceu, apontando a política cultural como um dos principais fatores, mas que um fenômeno nacional está tirando da roda muitos capoeiristas: a globalização da arte. Um fenômeno que os estudiosos apontam ter começado na década de 70, com mestres como Arthur Emídio, Djalma Bandeira, Leopoldina, Preguiça, entre outros, que levaram as rodas de capoeira para vários países. ''Cada dia mais capoeiristas deixam o País. No exterior, além de darem mais valor à arte, pagam bem mais para os mestres. Principalmente, os mestres mais antigos estão indo embora. O Brasil perde muito com isso'', comenta Bezerra que, há oito anos, pratica capoeira.
No tempo de Pastinha, capoeirista ainda que mestre no golpe rabo de arraia não saía de casa desarmado. Pastinha contava que não descuidava de um facãozinho de 12 polegadas e dois cortes que sempre carregava. ''A rivalidade existiu até em Londrina, mas hoje não tem mais. A capoeira se tornou mais profissional'', acrescenta Bezerra.
As diferenças podem aparecer nas linhagens, mas a mãe da capoeira, a Angola, com os seus três berimbaus, pandeiro, reco-reco, agogô e atabaque mantém unidos todos os filhos em sua roda.
Programação
Hoje
- 19h - Roda de Abertura na Vila Cultural Brasil (R. Uruguai 1.656), em Londrina
Sábado
- 12h - Roda no Calçadão
- 17h - Roda na Usina Cultural (Av. Duque de Caxias 4.159), em Londrina
- 19h - Festa Confraternização. Show Forró de Viola. Participação especial de Tião Carvalho na Vila Cultural Brasil
Domingo
- 9h - Roda na Praça do Japão
- 16h - Samba de Roda, com Mestre Plínio e Dona Vilma (Mãe Mukumbi) na Vila Cultural Brasil
SERVIÇO
- 7 Oficina de Capoeira Angola
Quando - De hoje a domingo, em Londrina
Quanto - R$ 25 (com alojamento)
Mais informações - R. Uruguai 1.656 ou pelo tel. (43) 3324-8056


