Um dos pioneiros do blues nacional, o gaitista carioca Flávio Guimarães volta a Londrina quatro meses depois de cativar a plateia com um show ao ar livre na Concha Acústica.
Ele se apresenta hoje, às 21h, no bar Valentino como convidado do ''1º Festival de Blues de Londrina''. No palco, terá a companhia da banda local Acústico Blues Trio, com a qual interpretará clássicos de músicos como Little Walter (1930-1968) e Jimmy Reed (1925-1976). O grupo Cluster Sisters faz a abertura da noitada.
Referência da gaita diatônica no País, Flávio é integrante da banda Blues Etílicos. Já gravou 17 álbuns, sendo sete solos e dez com a banda. Em setembro lança novo disco solo, que traz participação de vários gaitistas norte-americanos. O trabalho chega às lojas pela Chico Blues Records e será distribuído na Europa e Estados Unidos.
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Flávio participou de incontáveis discos de artistas famosos numa extensa lista que inclui Alceu Valença, Cássia Eller, Ed Motta, Fernanda Abreu, Luiz Melodia, Paulo Moura, Renato Russo, Rita Lee, Titãs, Zeca Baleiro, Celso Blues Boy, Angela Rô Rô, Paulo Ricardo, Kid Abelha e Zélia Duncan.
Também é constantemente requisitado para tocar sua gaita em trilhas de filmes ou jingles publicitários. Além das atividades com os Blues Etílicos, faz shows em duo com Otávio Rocha, guitarrista da banda. Foi o formato do show de março. Agora ele sobe ao palco sozinho, com acompanhamento de londrinenses.
Serviço:
1º Festival de Blues de Londrina - Shows de Flávio Guimarães, Acústico Blues Trio e Cluster Sisters
Quando - hoje às 21h
Local - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486)
Ingressos - esgotados
Informações - (43) 3348-0791

EN­TRE­VIS­TA

Vo­cê es­te­ve em mar­ço em Lon­dri­na. Co­mo foi aque­le ­show?
  Foi mui­to le­gal. O ­show foi ao ar li­vre, o som es­ta­va bom e te­ve gran­de par­ti­ci­pa­ção do pú­bli­co.
O que vo­cê pre­pa­rou pa­ra o ­show de ho­je?
  Des­ta vez vou so­zi­nho. Vou me apre­sen­tar com o Acús­ti­co ­Blues ­Trio. Va­mos to­car stan­dards do ­blues, clás­si­cos de Lit­tle Wal­ter e ­Jimmy ­Reed.
Co­mo es­tão as gra­va­ções de seu no­vo ál­bum so­lo?
  O dis­co es­tá pron­to. É meu oi­ta­vo tra­ba­lho so­lo. Es­ta­mos fi­na­li­zan­do a ca­pa pa­ra em se­gui­da man­dar pa­ra a fá­bri­ca. A pre­vi­são é lan­çá-lo em se­tem­bro. É um dis­co com par­ti­ci­pa­ções es­pe­ciais de gran­des no­mes da gai­ta nor­te-ame­ri­ca­na co­mo Char­lie Mus­sel­whi­te, ­Gary ­Smith, Joe Fi­lis­ko e Ste­ve Guy­ger.
O dis­co te­rá dis­tri­bui­ção no ex­te­rior?
  Se­rá lan­ça­do no Bra­sil pe­la Chi­co ­Blues Re­cords, com dis­tri­bui­ção na Eu­ro­pa e nos Es­ta­dos Uni­dos. Por cau­sa das mu­dan­ças no mer­ca­do fo­no­grá­fi­co, va­mos fa­zer a ven­da­gem por ­aqui atra­vés do Cor­reio e du­ran­te os ­shows. De­sis­ti das lo­jas de dis­cos.
­Quais as di­fe­ren­ças mu­si­cais en­tre seu tra­ba­lho so­lo e o tra­ba­lho de­sen­vol­vi­do no ­Blues Etí­li­cos?
  O ­Blues Etí­li­cos ­traz in­fluên­cias de ­seus 5 mú­si­cos e mui­tas com­po­si­ções co­le­ti­vas. É uma ban­da pio­nei­ra no seg­men­to, que co­me­mo­rou 25 ­anos de es­tra­da em 2010 com o lan­ça­men­to de seu pri­mei­ro DVD. É um pro­je­to de que me or­gu­lho mui­to. Faz um som ori­gi­nal, um ­blues ­rock que mis­tu­ra a ma­té­ria pri­ma do ­blues com o ba­lan­ço da mú­si­ca bra­si­lei­ra. Já em meu tra­ba­lho so­lo, fiz in­cur­sões pe­la mú­si­ca bra­si­lei­ra, mas ul­ti­ma­men­te te­nho me ins­pi­ra­do no ­blues elé­tri­co das dé­ca­das de 50 e 60 pa­ra com­por. Foi o que fiz em ­meus qua­tro úl­ti­mos dis­cos. O úl­ti­mo (‘‘The ­Blues Fol­low ­Me’’), ­aliás, é um tri­bu­to a Lit­tle Wal­ter, que equi­va­le na gai­ta o que Ji­mi Hen­drix re­pre­sen­ta pa­ra a gui­tar­ra ou Char­lie Par­ker pa­ra o sa­xo­fo­ne.
Que ava­lia­ção vo­cê faz da tra­je­tó­ria do ­blues no Bra­sil? Co­mo es­tá o seg­men­to ho­je?
  Te­ve ­duas fa­ses mar­can­tes: a pri­mei­ra co­me­çou por vol­ta de 1989 com a rea­li­za­ção do 1º Fes­ti­val In­ter­na­cio­nal de ­Blues em Ri­bei­rão Pre­to (SP), que te­ve a pre­sen­ça de no­mes co­mo Et­ta Ja­mes, Ju­nior ­Wells e Al­bert Col­lins. Hou­ve gran­de re­per­cus­são na mí­dia, se­gui­da de um ­boom nos ­anos 1990. De­pois, nu­ma se­gun­da fa­se, hou­ve um es­va­zia­men­to. O ­blues foi dei­xa­do de la­do pe­la mí­dia, em­bo­ra os mú­si­cos con­ti­nuas­sem to­can­do e gra­van­do. Atual­men­te, com as mu­dan­ças no mer­ca­do da mú­si­ca, es­ta­mos en­tran­do nu­ma no­va fa­se com a rea­li­za­ção de vá­rios fes­ti­vais em to­do o ­País. O in­te­res­san­te é que ago­ra, di­fe­ren­te­men­te dos ­anos 1990, ­eles não acon­te­cem ape­nas no ei­xo Rio-SP mas em to­das as re­giões – do Rio Gran­de do Sul ao Cea­rá. O Bra­sil es­tá ­mais in­te­gra­do.

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