Levando o blues na gaita
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de agosto de 2011
Nelson Sato <br> Reportagem local 
Um dos pioneiros do blues nacional, o gaitista carioca Flávio Guimarães volta a Londrina quatro meses depois de cativar a plateia com um show ao ar livre na Concha Acústica.
Ele se apresenta hoje, às 21h, no bar Valentino como convidado do ''1º Festival de Blues de Londrina''. No palco, terá a companhia da banda local Acústico Blues Trio, com a qual interpretará clássicos de músicos como Little Walter (1930-1968) e Jimmy Reed (1925-1976). O grupo Cluster Sisters faz a abertura da noitada.
Referência da gaita diatônica no País, Flávio é integrante da banda Blues Etílicos. Já gravou 17 álbuns, sendo sete solos e dez com a banda. Em setembro lança novo disco solo, que traz participação de vários gaitistas norte-americanos. O trabalho chega às lojas pela Chico Blues Records e será distribuído na Europa e Estados Unidos.
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Flávio participou de incontáveis discos de artistas famosos numa extensa lista que inclui Alceu Valença, Cássia Eller, Ed Motta, Fernanda Abreu, Luiz Melodia, Paulo Moura, Renato Russo, Rita Lee, Titãs, Zeca Baleiro, Celso Blues Boy, Angela Rô Rô, Paulo Ricardo, Kid Abelha e Zélia Duncan.
Também é constantemente requisitado para tocar sua gaita em trilhas de filmes ou jingles publicitários. Além das atividades com os Blues Etílicos, faz shows em duo com Otávio Rocha, guitarrista da banda. Foi o formato do show de março. Agora ele sobe ao palco sozinho, com acompanhamento de londrinenses.
Serviço:
1º Festival de Blues de Londrina - Shows de Flávio Guimarães, Acústico Blues Trio e Cluster Sisters
Quando - hoje às 21h
Local - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486)
Ingressos - esgotados
Informações - (43) 3348-0791
ENTREVISTA
Você esteve em março em Londrina. Como foi aquele show?
Foi muito legal. O show foi ao ar livre, o som estava bom e teve grande participação do público.
O que você preparou para o show de hoje?
Desta vez vou sozinho. Vou me apresentar com o Acústico Blues Trio. Vamos tocar standards do blues, clássicos de Little Walter e Jimmy Reed.
Como estão as gravações de seu novo álbum solo?
O disco está pronto. É meu oitavo trabalho solo. Estamos finalizando a capa para em seguida mandar para a fábrica. A previsão é lançá-lo em setembro. É um disco com participações especiais de grandes nomes da gaita norte-americana como Charlie Musselwhite, Gary Smith, Joe Filisko e Steve Guyger.
O disco terá distribuição no exterior?
Será lançado no Brasil pela Chico Blues Records, com distribuição na Europa e nos Estados Unidos. Por causa das mudanças no mercado fonográfico, vamos fazer a vendagem por aqui através do Correio e durante os shows. Desisti das lojas de discos.
Quais as diferenças musicais entre seu trabalho solo e o trabalho desenvolvido no Blues Etílicos?
O Blues Etílicos traz influências de seus 5 músicos e muitas composições coletivas. É uma banda pioneira no segmento, que comemorou 25 anos de estrada em 2010 com o lançamento de seu primeiro DVD. É um projeto de que me orgulho muito. Faz um som original, um blues rock que mistura a matéria prima do blues com o balanço da música brasileira. Já em meu trabalho solo, fiz incursões pela música brasileira, mas ultimamente tenho me inspirado no blues elétrico das décadas de 50 e 60 para compor. Foi o que fiz em meus quatro últimos discos. O último (The Blues Follow Me), aliás, é um tributo a Little Walter, que equivale na gaita o que Jimi Hendrix representa para a guitarra ou Charlie Parker para o saxofone.
Que avaliação você faz da trajetória do blues no Brasil? Como está o segmento hoje?
Teve duas fases marcantes: a primeira começou por volta de 1989 com a realização do 1º Festival Internacional de Blues em Ribeirão Preto (SP), que teve a presença de nomes como Etta James, Junior Wells e Albert Collins. Houve grande repercussão na mídia, seguida de um boom nos anos 1990. Depois, numa segunda fase, houve um esvaziamento. O blues foi deixado de lado pela mídia, embora os músicos continuassem tocando e gravando. Atualmente, com as mudanças no mercado da música, estamos entrando numa nova fase com a realização de vários festivais em todo o País. O interessante é que agora, diferentemente dos anos 1990, eles não acontecem apenas no eixo Rio-SP mas em todas as regiões do Rio Grande do Sul ao Ceará. O Brasil está mais integrado.


