Saber ler e escrever vai muito além da decodificação de letras e sons. Dentro do universo dos analfabetos, o analfabetismo funcional ainda é muito presente e limita a vida de milhares de brasileiros. E foi pensando na importância de valorizar a função social do texto, o que dá sentido a ele e as inferências que podem ser feitas a partir dele, é que foi criado o projeto ''A Caminho de Letramento'', em 2004, dentro da Secretaria Municipal de Educação, que atende mais de 5 mil alunos.
De autoria das educadoras Olinda Rosa Ribas e Rosana Daliner Acosta Marchese, a iniciativa começou com cerca de 80 professores interessados em estudar fora da sua carga de horária formas mais eficientes de ensinar seus alunos a ler e a escrever. A ideia deu tão certo que hoje já são 800 professores participantes, inclusive de outros municípios, contando com o auxílio de coordenadores.
''Antes o foco era uma alfabetização mais mecânica, tradicional, com cartilhas, e com o Letramento passamos a refletir sobre formas mais modernas de alfabetizar'', conta Rosana, que lembra que a assessoria com a educadora Esther Grossi, de 2000 a 2002, foi fundamental para a criação do Letramento.
Em um processo estimulante de troca de experiências, o projeto caracteriza-se pela multiplicação do saber, em uma formação continuada permanente. ''Participar do projeto é enriquecedor e todos os educadores acabam se beneficiando. Considero muito importante aprender a valorizar o lúdico como parte da construção do conhecimento, resgatando nas crianças e nos professores o prazer da aprendizagem'', destaca a professora Ana Regina Chepak de Souza - que tem 22 anos trabalhando na rede municipal e há três participa do projeto.
Atualmente sob a coordenação geral das educadoras Rosana Marchese, Rafaeli Constantino Peres e Cleide Vitor Mussini Batista, o Letramento proporciona um momento de revisão de didáticas e metodologias, com atualizações constantes de novas ferramentas pedagógicas.
Entre elas estão os jogos pedagógicos confeccionados pelas próprias professoras em alguns dos encontros mensais. Como os elaborados pela professora Daniela Martins Diniz, há cinco no projeto, da Escola Municipal San Izidro. Com criatividade, folhas coloridas de E.V.A. (material emborrachado) e tampinhas de garrafas plásticas se transformam em um tabuleiro silábico, em que os alunos se divertem com a criação das mais diferentes palavras a partir das sílabas misturadas de forma aleatória.
As caixinhas de fósforo ganham nova roupagem com uma figura colada na parte externa, sendo que no seu interior estão as letrinhas separadas que formam a palavra com o significado da imagem. Já os rolos de papel-toalha se transformam em coloridos cilindros de palavras. A partir de seis palavras-chaves (janela, peteca, tapete, tijolo, sapato, boneca), mais de 100 podem ser descobertas em uma divertida brincadeira.
''O legal do projeto é você perceber que na prática as coisas dão certo. Isso nos estimula a acreditar no que estamos fazendo e é muito boa a troca de experiências entre os professores'', reforça Daniela.

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