Numa época em que modelos se tornam atores com facilidade, Letícia Sabatela faz a grande diferença. Artista completa, ela canta - estudou no Coral Sinfônico do Paraná - dança - fez quase dez anos de balé no Teatro Guaíra - e atua como poucas de sua geração. Com uma formação sólida adquirida no teatro paranaense, onde começou a atuar aos 14 anos, a mineira de Belo Horizonte, que veio com quatro anos de idade para Curitiba, é hoje uma estrela aplaudida por unanimidade nacional.
Casada com o ator Ângelo Antônio e mãe de Clara, de seis anos, ela mora desde 1991 no Rio de Janeiro. Neste período, atuou em quatro novelas da Rede Globo, encenou duas peças profissionais nos teatros cariocas e participou dos filmes ‘‘O Tronco’’, de João Batista de Andrade; ‘‘Bella Donna’’, de Fábio Barreto e ‘‘O Xangô de Baker Street’’, de Miguel Farias, além de dois curtas-metragens: ‘‘Dente por Dente’’ e ‘‘Decisão’’.
Atualmente, Letícia está envolvida nas filmagens de ‘‘Chatô’’, a história de Assis Chateaubriand, dirigido por Guilherme Fontes. Seu tempo está dividido entre o filme e a peça ‘‘Por Um Novo Incêndio Romântico’’, de Felipe Hirsch, que faz parte da programação do Festival de Teatro de Curitiba.
Como é voltar para Curitiba?
É uma alegria estar aqui novamente, porque eu senti que pulei uma etapa. Eu queria ter feito mais teatro em Curitiba, ter trabalhado mais com pessoas daqui que eu admiro muito e que são referências para mim.
Como foi a transição entre fazer teatro amador no Paraná e atuar em novelas nacionais no Rio de Janeiro?
A primeira sensação foi a de que eu queria ficar mais um pouquinho aqui, me preparar mais, formar uma base melhor, como a que eu percebo em alguns atores curitibanos, que eu acho bem legais. Mas, a minha ida para o Rio foi também uma janela aberta, onde eu aprendi muitas coisas e trabalhei com pessoas muito interessantes.
Qual é a diferença entre atuar no teatro e na televisão?
Na televisão, você está trabalhando com uma empresa. No teatro, o processo de pesquisa e elaboração é longo. Para mim, o teatro é como um útero, onde se efetua um processo de criação. Eu acho que, sempre que a televisão e o cinema se aprofundam buscando um recurso teatral para trazer para o vídeo ou para a tela, a produção acaba ganhando com isso, pois foram buscar onde é a verdadeira fonte. No teatro, nós trabalhamos com as coisas mais básicas e estruturais de um ator. A partir daí, é possível trabalhar em qualquer veículo.
Como aconteceu o convite para participar de ‘‘Por Um Novo Incêndio Romântico’’?
Eu já conheço o Felipe (Hirsh, diretor da peça) e o Guilherme (Weber, assistente de direção) desde os 15, 16 anos de idade e sempre vi o Felipe como um bom diretor. Ele é mais novo que eu, mas sempre observei o trabalho que ele fazia. Acho que estávamos apenas buscando uma oportunidade de nos encontrar.
O personagem exigiu muita pesquisa?
Faço o Ganesh, aquele deus com cabeça de elefante. Aconteceu uma coisa muita engraçada, pois quando o Felipe me ligou perguntando se eu queria fazer o papel, eu estava ouvindo música indiana, lendo um livro sobre o mesmo tema e vestida com roupas indianas. Era tudo muito parecido com o que ele estava falando. Foi sincrônico, aceitei na hora. As coisas da Índia já estavam presentes, não precisei pesquisar muito.
Fale um pouco sobre a peça ‘‘Por Um Novo Incêndio Romântico’’.
A peça foi uma escolha do Felipe. O tema é abrangente, me atinge e atinge várias pessoas. Ela trata de um universo de mulheres de uma certa idade, que já viveram coisas e estão se olhando, se avaliando, o que é muito bonito.
Você consegue ficar em contato com o teatro do Paraná, acompanhar o que acontece aqui?
Sim, desde que saí daqui eu vi algumas peças do Marcelo Marchioro e do Felipe. Vi trabalhos do Raul Cruz, na época, e fiquei bastante influenciada por ele. É um referencial bem forte para mim tudo o que ele fez no teatro do Paraná.
Você viaja muito pelo Brasil. Como você avalia o teatro paranaense em relação aos de outros Estados?
Eu observo o forte trabalho feito em grupos amadores. Isso eu acho que é uma característica boa do teatro daqui, onde podemos ver a linguagem sendo experimentada. Também há atores que, quando trabalham, estão inteiramente entregues àquilo. São atores maravilhosos.
Quais são os seus próximos projetos profissionais?

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