O coreógrafo Leonardo Ramos será o novo secretário de Cultura de Londrina. O anúncio ontem pela manhã, no Hotel Crystal, agrada a classe artística, que aguardava com ansiedade e alguma preocupação a definição. A construção do teatro municipal é a prioridade da pasta.
O receio de artistas e produtores culturais é que houvesse um retrocesso na política cultural do município desenvolvida ao longo dos últimos oito anos e que tem como os dois principais pilares o Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e a Rede da Cidadania.
Ramos disse que o convite aconteceu há alguns dias, mas somente ontem, poucas horas antes do anúncio oficial, é que ele confirmou que aceitava o cargo. ''Recebi com surpresa o convite, afinal, eu nunca tive uma militância política partidária'', disse Ramos.
Ele destacou que, nos últimos anos houve uma evolução grande na política cultural londrinense e que pretende dar continuidade ao processo, fazendo com que a cultura atinja ainda mais toda a cidade, podendo ter acesso a todos os segmentos artísticos.
''Um dos principais projetos que vamos trabalhar é a construção do teatro municipal. O próprio prefeito eleito já nos falou sobre isso'', apontou Ramos, acrescentando que qualquer mudança que implemente deverá ser definida pela Conferência Municipal de Cultura.
Pernambucano de Olinda, Ramos iniciou os estudos em dança clássica aos 17 anos. Em 1981, ele mudou para Curitiba e desde 1984 está radicado em Londrina. Em 1993 fundou a Escola Municipal de Dança e o Ballet de Londrina.
Diretor da escola e da companhia, Ramos não pretende abandonar o trabalho artístico. ''Na verdade vou me afastar de muita coisa, mas continuo coreógrafo. Assim como o ex-ministro Gilberto Gil, que mesmo à frente do ministério não deixou as atividades artísticas'', afirmou Ramos.
Os produtores culturais e artistas londrinenses gostaram da escolha do coreógrafo para a Secretaria de Cultura. Para o produtor cultural e ator Fernando Goes, Ramos deve se preocupar com um plano de valorização profissional da classe. ''Não há a exigência de que as propostas apresentadas ao Promic sejam feitas somente por profissionais. Falta esse tratamento em relação à política cultural. Também gostaria que houvesse uma fiscalização dos projetos aprovados'', sugeriu Goes.
O músico Osmani Júnior também espera algumas mudanças que melhorem o Promic e que a área de música tenha mais apoio. ''O Promic poderia ser melhorado e ter mais verba para a área de música. Nos últimos anos teve pouco apoio para a gravação de CDs e até para a realização de shows na cidade'', apontou o músico.

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