É difícil levá-lo a sério. Ao anunciar a publicação de um livro de contos, ele convidou dois amigos para escrever os textos da orelha sem ao menos passar-lhes os originais. Ao divulgar o coquetel de lançamento, dá entrevista ao repórter apenas com a capa do volume nas mãos.
Mas, enfim, Leonardo Leon garante que os exemplares de seu livro ''Notas de Balcão'' sairão da gráfica a tempo de chegarem à sessão de autógrafos programada para hoje, na Biblioteca Pública Municipal de Londrina. O coquetel começa às 20 horas. ''Notas de Balcão'' é o quarto título do autor, o primeiro em prosa. Chega ao público com patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Reúne seis contos como ele faz questão de frisar ''urbanos''. ''É um livro rock'n'roll'' proclama. ''Os textos são ambientados em bares, quitinetes ou pensões baratas. Todas as idéias nasceram no balcão, durante o período de oito anos em que morei em São Paulo, que é uma cidade punk de nervo exposto''. Leon salienta que os seis contos não são autobiográficos, embora tragam elementos maquiados de eventuais circunstâncias vividas por ele.
''Pego situações absurdas para transforma-lás em algo engraçado. A forma é sempre escrachada, no estilo nem aí'' explica. O volume abre com uma epígrafe do escritor norte-americano Charles Bukowski (''É muito fácil amar um ser humano, principalmente se você não conhecê-lo muito bem''), um de seus autores de cabeceira ao lado de John Fante. Como curiosidade, traz poemas antes de cada um dos seis contos.
''Os versos casam com as histórias que vêm a seguir. Quis apenas fazer uma firula'' confessa. O autor conta que começou a escrever em prosa influenciado pela literatura noir: ''Os livros de David Goodis, James Elroy e outros autores do gênero se passavam como filmes na minha cabeça. Eu era moleque, não bebia, estava descobrindo as coisas. Foi daí que comecei a trabalhar a narrativa''.
Leon inventou o marketing do esculacho. ''As orelhas, em geral, falam bem do autor. Optei por mudar isso. Eu mesmo pedi para o Marcos Losnak falar mal de mim usando pitadas de humor para corresponder ao contexto dos contos'' diz, referindo-se ao crítico literário da Folha de Londrina que assina um dos textos da orelha.
A outra orelha foi solicitada ao dramaturgo Mário Bortolotto, que também brinca com a disciplicência do autor. ''Como sempre, o velho DeLeon nos obriga a esse tipo de situação constrangedora. Apresentar um livro que eu sequer li'' anota. Já a apresentação ficou por conta do ator e poeta Márcio Américo, que atualmente roteiriza quadros para o programa de Sérgio Mallandro, na RedeTV!, em São Paulo.
Todos são amigos de longa data do autor, que nasceu em Curitiba em 1973 e mudou-se para Londrina em 1982. Aqui, trabalhou em vários ramos de atividades até incursionar pelo ambiente cultural como ator e poeta. Em 1990, foi para São Paulo onde permaneceu por nove anos. Lá, pulou de emprego em emprego até decidir retornar a Londrina. Voltou, abriu e faliu um sebo. Atualmente dedica-se ao seu novo livro: ''Os Dez Mandamentos'', uma pesquisa com detentos da Penitenciária Estadual de Londrina.
''Notas de Balcão'' estará à venda a R$ 10,00. A tiragem é de 1 mil exemplares. O primeiro lote traz 300 cópias. A segunda edição, prevista para janeiro, virá ampliada com dois contos inéditos.
Serviço:
Coquetel de lançamento do livro ''Notas de Balcão'', de Leonardo Leon. Hoje, na Biblioteca Pública de Londrina (Av. Rio de Janeiro, 113). Horário: 20 horas.

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