Lennon em Cuba
Uma estátua de John Lennon é, há uma mês, uma das grandes atrações de Havana, uma cidade que censurou os Beatles até 1966. Ela está em um parque central e dezenas de pessoas a visitam, todos os dias. A escultura mostra John sentado em um banco, com as pernas cruzadas e ligeiramente inclinado para a esquerda, como se conversasse com algum interlocutor invisível. As flores são comuns e há sempre algum casal de turistas tirando fotografias com a estátua ao fundo.
Este era um local tranquilo e solitário até a chegada da estátua, comenta Juan Manuel Gutierrez, um habitante das cercanias. Um policial está sempre de plantão, para evitar a repetição de incidentes, como o de dezembro quando, durante um forte aguaceiro, alguém quebrou os óculos redondos de Lennon, obrigando o escultor a refazê-los.
Em tamanho natural, a estátua foi executada pelo artista cubano José Villa, para que fique perpetuada a imagem do líder dos Beatles. No banco onde a estátua se assenta, o autor escreveu a mais conhecida das frases da canção Imagine: Podes dizer que sou um sonhador, mas não sou o único. No dia da inauguração, 8 de dezembro, aniversário do 20º aniversário do assassinato de Lennon, o pano que cobria a estátua foi descerrado pelo cantor cubano Silvio Rodrigues, conhecido admirador dos Beatles, e pelo presidente Fidel Castro. Há homenagens que são muitos justas, disse Fidel, referindo-se aos tempos em que os Beatles eram identificados pela política oficial da Ilha como símbolos da ideologia imperialista e inimigos da Revolução Cubana. A censura durou até 1966, quando um programa de rádio divulgou, pela primeira vez, uma canção do quarteto de Liverpool.





