Da última vez em que esteve em Curitiba o cantor Lenine apresentou-se no Paiol tendo ao seu lado apenas um músico: o percussionista Marcos Suzano com o qual gravou, em 1996, o CD ‘‘Olho de Peixe’’. Quatro anos e dois discos depois, ele retorna à cidade com um show que em poucos momentos dispensa a alta tecnologia. O espetáculo de seu novo CD, ‘‘Na Pressão’’, será apresentado esta noite, na Forum.
A percussão continua presente. Mas dessa vez ela vem gravada num vinil e conta com o trabalho do DJ Neck para se misturar ao som. ‘‘Mas cada um dos músicos da banda é percussionista de alma’’, diz o cantor. Ele decupou seu último disco em vinil para dar ao DJ inúmeras possibilidades de criação de efeitos sonoros.
‘‘Tudo são ferramentas. Tanto minhas raízes quanto minhas antenas’’, diz o cantor. Suas raízes estão no maracatu de Recife, no som artesanal, no acústico. Suas antenas estão ligadas ao rock-and-roll que ouve desde criança e ao techno das pistas. ‘‘Tudo o que está perto da boca para mim é comida’’, brica. ‘‘E eu tenho uma fome voraz.’’
A inventividade de Lenine não se restringe aos estúdios. Boa parte de seu show conta com o improviso e a intuição. ‘‘Eu e minha banda sabemos que corremos risco. Mas gostamos dessa adrenalina e é isso o que a platéia espera da gente.’’ Por isso, que ninguém espere um repertório de ordem previsível. ‘‘A espinha dorsal são as músicas do último CD. Mas até o dia da apresentação incrementamos o programa com canções diferentes’’, conta.
Lançado no ano passado, ‘‘Na Pressão’’ é tão inovador quanto os três discos anteriores de Lenine. Desde que gravou seu primeiro trabalho, no começo da década de 80, ele acumulou no currículo nada menos que 500 composições, interpretadas por um lista enorme de importantes cantores nacionais.
Show ‘‘Na Pressão’’, com Lenine e banda. Hoje, à meia-noite e meia, na Forum (Rua João Palomeque, 80). Ingressos a R$ 15,00

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