Lendas renascem a cada terça-feira
Lendas renascem a cada terça-feira
Hoje é dia de ouvir e contar histórias. Todas as terças-feiras, há mais de um ano, é dia sagrado para um grupo de professores, arquitetos, antropólogos e atores. Eles formam o grupo Contadores de História e se encontram no final da tarde das terças-feiras para contar e discutir histórias, em reuniões abertas ao público em geral, no Memorial da Cidade de Curitiba.
Um dos trabalhos do grupo é aproximar as lendas de sua versão original, numa tarefa arqueológica. Nos encontros, os contadores descobrem a riqueza dos contos indígenas e as curiosidades sobre histórias já conhecidas.
Um dos contadores de histórias, Carlos Daitschmann, informou, por exemplo, que uma das mais antigas citações da história de Cinderela foi encontrada na China, por volta do ano 900. A personagem usava sapatos de cetim e tinha um peixe amigo como fada madrinha.
A tradição de contar histórias é milenar. Em muitas culturas o relato oral cumpriu o papel de perpetuar tradições e conceitos. Prova disto é que até o século 18 os relatos eram assuntos para adulto. Somente após esta data é que surgiram as primeiras histórias infantis.
Durante os encontros dos contadores de histórias em Curitiba, as narrativas também são assunto de gente grande. Os integrantes do grupo, chamado de Clareando, trabalham em bibliotecas e escolas e acreditam que o hábito de contar histórias seja essencial para o desenvolvimento da criança e para a aquisição de conhecimentos sobre a sua própria cultura.
O Clareando surgiu nas oficinas do Pró-Ler em 96, um projeto do Ministério da Cultura, que recebeu o apoio do governo do Estado e da Fundação Cultural de Curitiba.
Através das histórias, os ouvintes absorvem conceitos éticos, filosóficos e reforçam os seus laços afetivos. Os encontros semanais dos contadores de histórias dão subsídios para outras atividades, como uma realizada por Carlos Daitschmann, através da Fundação Cultural de Curitiba.
Ele percorre semanalmente as bibliotecas municipais, nas terças-feiras, às 15 horas, repassando histórias antigas e inéditas para o público infantil.
A narração conta com a imaginação do ouvinte, que não tem limites, diz. Ele afirma que para ser bom nesta arte, o contador precisa aproximar a história do ouvinte.
As reuniões públicas acontecem às 18h45, no Memorial de Curitiba do Largo da Ordem. As visitas às bibliotecas obedecem um cronograma: Biblioteca Parque da Barreirinha (14), Biblioteca Augusto Stresser, no Parque São Lourenço (20), e Biblioteca Franco Giglio, na Campina do Siqueira (28).





