Lenda Urbana explora clichês
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de novembro de 1998
Luiz Zanin Oricchio Agência Estado 
Adolescente sofre nos Estados Unidos. Pelo menos no cinema. Como se sabe, um câmpus universitário é o lugar mais inseguro do mundo, onde assassinatos acontecem todas as noites, moças são estupradas cruelmente e maníacos andam à solta em busca de vítimas incautas. Ninguém pode fazer sexo em paz, sem que surja algum maluco munido de uma serra elétrica ou de um machado de bom tamanho e corte no ponto. Deve haver alguma simbologia profunda nisso tudo, mas o assunto ainda não foi devidamente estudado.
Em Lenda Urbana, que estréia hoje no circuito nacional (ver programação na página 5), Jamie Blanks, que tem 26 anos e admira John Carpenter, conforme informa o material de divulgação distribuído à imprensa, o ponto de partida até que é legal. Por algum motivo obscuro, os estudantes de uma universidade começam a ser assassinados segundo determinado padrão. Este seria ditado pelas lendas urbanas fenômeno psicossocial que fornece mote e título à obra. São lendas urbanas aqueles relatos anônimos sobre acontecimentos terroríficos variados. Tais como: se você avisar o motorista que vem em sentido contrário que ele está com os faróis apagados, pode ir dizendo adeus à vida.
Bom, esse é o eixo da coisa. O chato é que depois que a história começa a funcionar, ela passa a ser alimentada por uma dose industrial de clichês, o que tira qualquer possibilidade de surpresa. Aliás, os responsáveis pelo filme contentam-se com a manjada tentativa de assustar o espectador com a entrada abrupta de personagens em cena, seguida pela marcação de um ruído muito alto.
Lenda Urbana, é o tipo de filme que aposta na baixa exigência de qualidade por parte do público-alvo. Cada sucesso de um produto desse tipo é um incentivo à mediocrização da indústria do entretenimento.


