A história do samba confunde-se com a trajetória do compositor carioca Nelson Sargento, tema do livro que a pesquisadora Juliana Barbosa lança hoje dentro da Semana Literária do Sesc, em Londrina.
A autora irá homenagear o sambista, presidente de honra da Estação Primeira da Mangueira, com uma palestra musical na Sala de Espetáculos do Sesc convidando para o palco o grupo Bendito Fala Torto e outros sambistas locais. A sessão de autógrafos do livro começa às 18h30 e o tributo está previsto para às 19h30, com entrada franca.
O livro "Nelson Sargento e as Redes Criativas do Samba" estará à venda com preço promocional a R$ 35. Na Livrarias Curitiba encontra-se disponível a R$ 45 e na Livraria da UEL a R$ 36 (todo seu acervo tem 20% de desconto).
Juliana é pós-doutoranda em Estudos da Linguagem pela UEL, professora e produtora cultural. Há dez anos desenvolve pesquisas sobre a cultura do samba. Desde 2008, produz e apresenta o programa "Estação Samba", veiculado semanalmente pela emissora educativa UEL FM.
Nascida no Rio de Janeiro, mudou-se com a família para Londrina ainda criança. O ambiente musical original vivido pelos pais, porém, veio junto com as malas para o Norte do Paraná. "Cresci ouvindo os discos de meus pais, por isso tenho uma relação muito forte com o samba e com a cultura carioca", conta ela.
"Desde cedo, frequentei rodas de samba e percebi a riqueza poética de seus compositores. Quando decidi fazer mestrado, escolhi estudar os desfiles das escolas do Rio de Janeiro porque sempre acompanhei o Carnaval pela televisão. Quando eu tinha 6 anos, ficava acordada até de madrugada. Mais tarde, recebi o convite para produzir o programa para a rádio UEL, que me exige muita pesquisa. Foi do material consultado semanalmente para fazer o programa que surgiu a ideia de estudar a obra do Nelson Sargento. Queria pesquisar um personagem da cultura do samba e vi que a trajetória dele era muito representativa pelo fato dele ter vivido, de dentro, um século de samba", relata.
Juliana lembra que o compositor foi abençoado com a rara experiência de ter convivido com os nomes mais importantes da história do samba, como Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça. "Na infância, ele frequentou as primeiras escolas de samba, surgidas na década de 1920. Aos 14 anos, no morro da Mangueira, buscava cerveja e cachaça para os bambas que animavam as rodas. Ele chamava o lugar de Butantã do samba, porque vivia cheio de cobras. Cresceu nesse ambiente e resolveu aprender com seus mestres", salienta.
A autora assinala que, diferentemente de nomes como Martinho da Vila ou Arlindo Cruz, Nelson Sargento "não é um sambista comercial de grande público". "Ele é um compositor artesanal", diz. "Tem cento e poucas composições, algumas gravadas por artistas consagradas como Beth Carvalho e outras da nova geração como Fabiana Cozza. Por isso, digo que ele é como um caule, elemento de ligação entre a raiz e as folhas. Ele tem contatos com as raízes e com os frutos do samba".
"No Rio, ele é chamado de lenda do samba", continua ela. "É uma memória viva dessa cultura. É coautor de uma biografia do sambista Geraldo Pereira, de quem é capaz de lembrar de cor letras inéditas nunca gravadas. Lançou alguns discos, nos quais gravou composições deixadas pela metade por Cartola e completadas por ele. No carnaval de 2013, foi eleito presidente de honra da Estação Mangueira. Aos 90 anos, continua em atividade: na semana passada, subiu ao palco para declamar letras clássicas de samba ao lado da atriz Fernanda Montenegro", sublinha.
Juliana decidiu publicar o livro por sugestão da banca que avaliou a defesa de sua tese de doutorado. A editora curitibana Appris, especializada em títulos acadêmicos, viabilizou a obra. "Tive que fazer adaptações de linguagem para que os leitores não acadêmicos também possam ter acesso à pesquisa", explica.
O livro foi lançado em julho, no Rio de Janeiro, como parte das comemorações de aniversário do sambista. Os dois deram autógrafos juntos durante o evento. Em agosto fez o lançamento durante o Festival Literário das Letras de Ourinho (SP). Para o lançamento hoje em Londrina, a autora fugiu do convencional e preparou uma "palestra musical" em que vai alternar falas e números musicais interpretados pelos artistas convidados.
O grupo Benedito Fala Torto é formado por Bethânia Paranzini (cavaco e voz), Samuel Muniz (violão 7 cordas), Duda de Souza (percussão), Marcelo Siqueira (percussão) e Júlio Erthal (flauta). Também sobem ao palco os músicos Seo Nelson, Sérgio Valentin (do grupo Nova Opção, a mais antiga formação de samba em atividade em Londrina), Marquinho Gomes (do grupo Os Beto), Braguinha e Rakelly Calliari (do Grupo Samba Sim).
O repertório da apresentação traz composições de Nelson Sargento, culminando ao final com a interpretação coletiva de "Agoniza mas não morre", o samba mais conhecido do homenageado. Um show do próprio sambista foi anunciado para o dia 25 de outubro, mas – segundo ela – os produtores do evento ainda estão correndo atrás de patrocinadores para viabilizar a apresentação.

Serviço:
Semana Literária do Sesc - Lançamento do livro "Nelson Sargento e as redes criativas do samba", de Juliana Barbosa, e palestra musical com participação de vários músicos locais
Quando - Hoje às 18h30
Onde - Sala de Espetáculos do Sesc (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Ingressos - Gratuito
Informações - (43)3305-7800

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