‘‘Felicidade é trabalhar com Jack Lemmon’’, costuma sempre dizer Billy Wilder. Certa vez, o diretor de ‘‘Quanto Mais Quente Melhor’’ e seis outros filmes com Lemmon classificou o ator como alguém ‘‘em algum lugar entre Charlie Chaplin e Cary Grant’’. Nenhum exagero. Ninguém do meio cinematográfico, sem exceção, tem o que o contestar. Quem ia aos filmes com Lemmon ia ao cinema justamente para ver Lemmon, e quem falava sobre ele sempre se referia de maneira muito afetiva, inclusive os atores mais jovens. Na extensa filmografia, a maioria papéis de qualidade. O comprometimento com a retidão e a verdade, e a insegurança sobre qual escolha o personagem faria. Sempre a certa, afinal, mas interessava era como se dava o processo pelos caminhos do ator.
Teatro, cinema, televisão. Lemmon fez de tudo, mas gostava mais da câmera. E ela dele. Versátil como poucos, brilhou mesmo como ator cômico. No cinema foi muitos, completamente dedicado à sua arte. Apesar de visceralmente urbano, incursionou até pelo western, saindo da experiência com louvor - ‘‘Como Nasce Um Bravo’’, de Delmer Daves. Foi capaz de fazer uma ampla gama de retratos, passeando com a mesma desenvoltura tanto em comédias satíricas como em drama profundamente comovedores. Formou duplas inesquecíveis com Tony Curtis, Shirley McClaine e principalmente com seu fiel escudeiro, Walter Matthau, morto ano passado.
Um tipo, no entanto, foi a especialidade numero um de Lemmon. O homem urbano comum, o cidadão médio apanhado nas armadilhas do dia-a-dia ingrato, burocrático, complicado, neurótico da megalópole. Ninguém, como ele, dosou comicidade e drama com tamanha sutileza para chegar à sátira. Rir – ou se emocionar – com as complicações e infortúnios vividos pelos personagens de Lemmon era um pouco vestir a carapuça, era como se solidarizar com as agruras de um cotidiano onde afinal se descobria que rir é o melhor remédio.

mockup