Uma tristeza quase invisível
Léa é uma garota como toda garota de nove anos de idade. Brinca com as amigas, vai para a escola, faz tarefa e assiste televisão.
Filha de pais deparados, Léa mora com a mãe e passa os finais de semana com o pai.
Léa gosta de ter duas casas, mas torce o nariz para as namoradas que o pai arruma regularmente. Todas querem forçadamente parecer amorosas e simpáticas.
Tudo muda quando ela conhece Theodora, a nova namorada do pai. De nacionalidade grega, Theodora é uma mulher que age com naturalidade, não procura ser aquilo que não é.
Léa e Théo (apelido de Theodora), tornam-se naturalmente grandes amigas. Com Théo, Léa aprende um monte de coisas diferente, novas comidas e novas canções. Também conhece as lendas dos heróis gregos da antiguidade.
Mas, um belo dia, a relação amorosa entre Théo e o pai de Léa chega ao fim. De maneira complicada e repentina. Uma briga coloca um ponto final numa relação que parecia perfeita.
Machucado com o fim do relacionamento, o pai impede que Léa e Théo continuem mantendo contato. A amizade entre as duas deixa de ser viável por uma razão que não tem nada a ver com Léa.
A história de Léa, repleta de reflexões sobre as relações amorosas contemporâneas, é narrada pela escritora francesa Anne Vantal no romance infantojuvenil "Querida Théo".
Publicado pela editora Companhia das Letrinhas com ilustrações de Marc Boutavant, a obra revela como as novas formas de organização familiar podem, por um mero descuido, comprometer os laços sentimentais entre adultos e crianças.

Imagem ilustrativa da imagem LEITURINHA
| Foto: Imagens: Reprodução



Léa entende algo que muitas crianças percebem em silêncio: a relação que os casais estabelecem, em alguns casos, não leva em conta as crianças oriundas de relações anteriores. E se em casal rompe a relação amorosa, esse rompimento também se estende aos mais próximos, principalmente aos filhos de ambos os lados.
Nesse processo Léa cria uma maneira própria de resolver um drama que não é seu, um problema de dois adultos que, de certa forma, determina seu próprio mundo emocional.
Léa decide crescer para resolver ela própria sua conduta diante da vida. Após alguns anos de distanciamento, procura Théo para reatar a amizade. E faz isso pela própria vontade, com iniciativa própria e suas próprias ferramentas.
Seu aprendizado está em ver que sua relação com a ex-namorada do pai, não precisa passar pelas decisões do pai ou pela relação que o casal estabelece após o rompimento. Uma amizade pode existir de maneira independente, apenas regida por afinidades e amorosidade.
"Querida Théo" demonstra de maneira simples que, nas novas formações familiares, as crianças podem se colocar na posição de sujeitos de suas próprias vidas emocionais, de suas próprias escolhas afetivas, independente dos dramas sentimentais de pais, mães e outros adultos.

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Serviço:
"Querida Théo"
Autor – Anne Vantal
Ilustrações – Marc Boutavant
Editora – Companhia das Letrinhas
Páginas - 56
Quanto – R$ 34,90

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