O amor, todos sabem, possui múltiplos mistérios. Quanto maior o amor, maiores são os mistérios. Coisas inexplicáveis que geralmente caminham por lugares de pouca iluminação formando um mar de sombras.
Na mitologia grega, a lenda de Eros e Psiquê é uma das mais clássicas histórias em que amor e mistério vivem lado a lado. Um ampliando o sentido do outro. Em seu novo livro, ''Psiquê'', a escritora e ilustradora mineira Angela-Lago cria uma versão do mito para crianças fazendo uso de uma atmosfera mágica, semelhante aos contos de fadas.
Lançado pela editora Cosac Naify, a obra é repleta de sombras, uma narrativa banhada pela noite. Como se as imagens não pudessem ser reveladas, justamente para não quebrar o encanto e o mistério, as sombras ocupam lugar de destaque.
Em ''Psiquê'', a noite começa na capa e se prolonga por todas as páginas. Narrando uma história onde um segredo não pode ser revelado, Angela-Lago estende esse conceito para a linguagem das ilustrações de maneira sedutora. Algo como se as imagens preservassem o mistério presente no mito.
Em grego, a palavra ''psiquê'' significa ''alma''. Também pode significar, em vários casos, ''espírito'' ou ''mente''. No âmbito da mitologia, Psiquê é o nome de uma princesa que, pela sua extrema beleza, espanta todos seus possíveis amores e pretendentes. Pelas mãos do destino, a jovem é levada para o mundo das sombras, onde conhece o amor. O drama é que ela não pode enxergar a imagem do amado.
Para aumentar o drama, o amado no caso trata-se de Eros, o deus do amor. É claro que a princesa, movida pela curiosidade e por opiniões alheias, decide desvendar a imagem física daquele que ama. E claro que acaba destruindo o mistério e perdendo o ser amado.
Para reaver o amor, ela precisa realizar uma longa jornada cheia de provações e desafios. Como elemento feminino, em nome do amor, realiza a mesma jornada que os guerreiros realizam em nome do bem. O clássico arquétipo da jornada do herói se transforma em ''jornada da heroína''.
Angela-Lago estendeu a aura do mistério do amor em todas as páginas de ''Psiquê''. Colocou a alma e o amor no escuro. A luz, aquela capaz de definir com exatidão a forma das coisas, surge apenas nas últimas páginas. Somente após a princesa cumprir sua jornada e reaver Eros. Um tipo de abordagem que potencializa uma das histórias mais bonitas que a mitologia criou para dizer algo muito simples: a alma necessita de uma série de experiências para se unir ao amor.
SERVIÇO
■ Psiquê
Autor - Angela-Lago
Editora - Cosac Naify
Quanto - R$ 49 (56 págs.)



LANÇAMENTOS


Piratas

''O Corsário Negro'' é mais um volume com aventuras de piratas criadas pelo escritor italiano Emilio Salgari (1862 - 1911). No romance, o lendário Corsário Negro tenta resgatar o corpo de seu irmão morto por inimigos. Com a ajuda de um encantador de serpentes, o pirata enfrenta os mais sinistros perigos dos mares para cumprir sua missão.
■ Editora Iluminuras, tradução Maiza Rocha, 336 páginas, R$ 44.


Macacos

Em ''O Aluá do Macaco'', a escritora Silvana Salerno resgata quatro fábulas brasileiras onde o macaco aparece como personagem principal. São histórias onde a figura do bicho aparece como espertalhão, como aquele capaz de passar a perna em qualquer um. A única fábula que foge a essa regra, ''O Macaco e o Boneco de Cera'', traz o ladrão de banana levando umas palmadas.
■ Difusão Cultural do Livro, ilustrações de Andrea Ebert, 24 páginas, R$ 21

mockup