Imaginar um leão no meio do mato, lá longe, na savana, há quilômetros de distância, é uma coisa. Imaginar um leão próximo, no seu quarto, é completamente diferente.
O bicho lá na selva, correndo e devorando suas presas é uma coisa. Outra muito diferente é o leão dentro do guarda-roupa de seu quarto, ali, bem ao lado da cama.
Esse era o drama de um garoto que, todo dia em que se deitava para dormir, imaginava um leão dentro do armário do quarto. Era uma verdadeira tortura dormir pensando no leão ali, bem ao seu lado, no armário.
Certa noite, após muito sufoco, ele resolve enfrentar o medo e abrir a porta do armário. Ver se realmente o leão estava lá dentro, pronto para mastigar seus ossinhos. Ou ver se era apenas uma construção de sua imaginação.
Enfrentando o medo, abriu a porta. Não foi nada fácil, mas conseguiu a coragem necessária, mesmo molhando o pijama.
Se você acha que o menino encontrou apenas brinquedos e tranqueiras dentro do armário, está enganado. Ele viu um leão grandão. Um bichão com juba, unha, dente e fome.
A história do susto desse garoto está em ''Maurício, o Leão de Menino'' obra infantil de Flavia Maria ilustrada por Millôr Fernandes. Publicada originalmente em 1969, acaba de receber uma nova edição pela editora Cosac Naify.
Diferentemente das histórias infantis onde o medo é o elemento central, ''Maurício, o Leão de Menino'' mostra que o medo, mesmo fantasioso e imaginativo, existe de maneira real na mente das crianças.
No meio do escuro, você pode acender a luz e não ver nenhum monstro atrás do sofá. Mas ele está lá, atrás do sofá. Ou correu para o quarto e se escondeu embaixo da cama.
No caso do garoto, após quase desmaiar ao dar de cara com um leão dentro do armário, percebe que o bicho não era exatamente um monstro. Entende que não era nenhum ser sanguinário pronto para engolir o primeiro que aparecer pela frente e cuspir os ossos. Nada de leão selvagem. Nada de animal pavoroso. Simplesmente um leão de menino.

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