LEITURINHA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de outubro de 2009
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha 2 
Todo mundo já viu aquela imagem do esqueleto com uma enorme foice nas mãos. A clássica representação da morte. Aquela caveira vestida de negro que bate inesperadamente nas portas dos seres vivos. A figura soturna e intransigente que leva todo mundo para o cemitério.
Pesando em contornar essa imagem nada agradável, o escritor e ilustrador alemão Wolf Erlbruch decidiu vestir o esqueleto de foice nas mãos com os tecidos da simpatia. Criou O Pato, a Morte e a Tulipa, livro em que apresenta às crianças uma delicada e serena visão da morte.
Lançado pela editora Cosac Naify, a obra traz a história do inusitado encontro entre um pato e a morte. Algo que poderia tornar-se uma torrente de lágrimas e tristeza, assume a forma de uma singela revelação.
Quando o pato percebe a proximidade da morte, inicialmente se assusta, é abatido por uma montanha de dúvidas. Puxando conversa com a figura do outro mundo, uma relação de amizade tem início entre os dois.
O pato mostra à morte as sensações que a vida pode oferecer. A morte, por outro lado, revela ao pato, a naturalidade do final da vida para os vivos. Nesse processo, ambos empreendem um tranquilo aprendizado dos processos típicos da vida e dos processos característicos da morte.
Nos desenhos de O Pato, a Morte e a Tulipa, Wolf Erlbruch coloca a morte em situações inusitadas na tentativa de explicar ao pato o que significa o final da vida. Coloca a morte tomando banho num lago e sentindo frio. Coloca o pato, num ato de carinho, aquecendo a morte que treme os ossos de frio.
O Pato, a Morte e a Tulipa realiza uma leitura filosófica do fim da existência com extrema beleza. Os dramas dão lugar a um tipo de lucidez poética onde a compreensão acende a lâmpada ou acorda o sol. Um simples e discreto modo de iluminar as sombras.


