Livrarias e bibliotecas são lugares frequentados por todo tipo de gente. Entre as estantes, passeiam desde crianças barulhentas até velhinhos silenciosos. Cada figura procura um livro específico. Cada um com seu gosto pessoal e suas preferências.
Bibliotecas e livrarias também são lugares onde as pessoas se encontram ao acaso. E mesmo com cada um com seu gosto particular, podem aprender algo através das diferenças. A escritora suíça Sylvie Neeman transformou um desses encontros numa história para crianças. Ela está em ''Sábado na Livraria'', livro lançado pela editora Cosac Naify.
Com ilustrações a óleo realizas por Olivier Tallec, narra a história de uma garotinha que possui o hábito de frequentar uma livraria todo sábado. A livraria possui outro visitante assíduo aos sábados, um velhinho que folheia sempre o mesmo livro. Um enorme e pesado volume sem nenhum desenhinho, sem nenhuma figurinha, só letras e mais letras em centenas de páginas.
As preferências da garotinha são outras. Ela gosta gibis e histórias em quadrinhos. Publicações que, além de poderem ser lidas em minutos, são capazes de provocar boas risadas. Apesar de dessas diferenças, a garotinha e o velhinho estabelecem um contato silencioso, sentimental e gradual.
Uma das coisas que a garotinha não consegue entender é porque o velhinho nunca compra o livro que folheia todo sábado. Não consegue entender porque ele não leva para casa o livro de que parece gostar muito.
''Sábado na Livraria'' é na realidade uma sutil história sobre a descoberta da generosidade, o nascimento desse sentimento. Não aquela generosidade que vagueia perdida sem direção, mas aquela que surge a partir da percepção de alguma necessidade alheia. Curiosamente, esse sentimento aparece na obra de Sylvie Neeman através de uma personagem externa à narrativa. Aquela que assiste o encontro entre a garotinha e o velhinho e se revela a única capaz de realizar uma leitura mais abrangente da situação.
Mais do que promover o encontro entre a infância e a velhice, ''Sábado na Livraria'' revela como o encontro entre as pessoas pode ocorrer a partir da simples observação. E de como a generosidade não existe enquanto idéia, mas apenas enquanto gesto, enquanto ato. E nisso tudo, a pausa para a percepção, o instante de compreensão do outro, se revela fundamental.


LANÇAMENTO
Observar
  ‘‘Na Trilha de Gauguin’’, de Sylvie Girardet e Claude Merleau-Ponty, traz uma breve biografia do pintor francês Paul Gauguin acompanhada de reproduções de seus principais quadros. Integrando a coleção ‘‘Por Dentro da Arte’’, idealizada pela Associação de Museus Nacionais da França, a obra apresenta os grandes mestres da pintura às crianças através de atividades de observação.
■ Editora Companhia das Letrinhas, ilustrações de Nestor Salas, tradução de Eduardo Brandão, 48 páginas, R$ 29,50.

Tocar
Em ‘‘João e Maria’’ a clássica história das duas crianças que, perdidas na floresta, encontram uma casa de tentadores doces recebe uma versão tátil. Obra de Hervé Le Goff, em cada página do livro há uma textura diferente para as crianças sentirem com os dedos. Tudo começa com o musse de chocolate das paredes da casa e termina com a vassoura da bruxa.
■ Editora Companhia das Letrinhas, tradução de Eduardo Brandão, 12 páginas, R$ 43.


SERVIÇO
Autora - Sylvie Neeman
Ilustrações - Olivier Tallec
Editora - Cosac Naify
Tradução - Cássia Silveira
Quanto - R$ 42 (32 páginas)

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