LEITURINHA - Salve as diferenças
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de maio de 2005
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
É muito chato ser motivo de gozação. Todo o pessoal da escola tirando o sarro pelo fato de você ser diferente da maioria das pessoas. Uma humilhação capaz de fazer nascer lágrimas nos olhos.
Assim se sentia Draguinho, um filhote de dragão. Na escola, todo mundo tirava sarro nele. Apenas porque ele não era igual aos outros filhotes de dragões. Era diferente.
Enquanto os dragões cuspiam fogo pelas ventas, Draguinho cuspia água. No começo até pareceu engraçado, mas depois de muita humilhação, a tristeza encobriu o som das risadas.
Em sua tristeza, Draguinho resolveu abandonar a escola, deixar sua casa e correr mundo. Imaginava que em algum canto do mundo devia existir um lugar onde todos os dragões soltassem água pelas ventas, não fogo. Nesse lugar ele seria igual a todo mundo. Não seria mais motivo de gozação.
A história desse dragãozinho é contada pelo médico e escritor paulista Cláudio Galperin em ''Draguinho'', livro lançado pela Editora Ática com ilustrações do estúdio Openthedoor. É uma bela história sobre diferenças e como que podemos nos relacionar com elas.
Em sua busca solitária, Draguinho encontrou pelo caminho vários bichos. Entre eles, Jasper, um filhote de elefante que nasceu sem tromba. Grouxo, um porquinho estrábico. Rita, uma águia que não voava, só andava a pé.
Draguinho também ficou amigo de um simpático coelhinho chamado Max. Um coelho sem dentes, banguela.
A primeira coisa que passou pela cabeça de Draguinho foi uma questão prática: como um coelho sem dentes come cenoura? A resposta que Max ofereceu também foi prática: basta bater a cenoura no liquidificador e fazer suco. Para beber ninguém precisa de dentes. Nem coelho.
Após conhecer tanta gente diferente, Draguinho resolveu voltar para sua casa, para sua escola. Mas a história narrada em ''Draguinho'' não termina aí. Muita coisa acontece. O pequeno dragãozinho chega a tornar-se uma espécie de herói dos incêndios. É fácil imaginar o motivo.
Mas é bom lembrar que não devemos respeitar apenas os dragãozinhos que se tornam heróis. Na vida real, os dragões diferentes não precisam ser heróis para serem respeitados. Nem vítimas.
Serviço:
- Livro ''Draguinho - Diferentes de Todos, Parecido com Ninguém'', de Cláudio Galperin, ilustrações de Openthedoor, 48 páginas, R$ 18,50.


