Algumas pessoas gostavam deles. Outras odiavam.
Para algumas pessoas, eram heróis em busca de justiça. Para outras, bandidos sanguinários.
Algumas pessoas os protegiam. Outras, os delatavam à policia.
Eram chamados de cangaceiros. Andavam pela região do sertão nordestino entre os anos de 1900 e 1940. Eram homens do povo que, em forma de bandos armados, espalhavam justiça e violência pelo sertão.
Lampião, ao lado de sua esposa, Maria Bonita, era o mais famoso deles. Conhecido como o ''rei do cangaço'', deixou muitas histórias reais e imaginadas que se espalharam pelo Brasil.
A escritora paulista Liliana Iacocca decidiu, numa complicada tarefa, contar a história de Lampião para crianças. Para isso escreveu ''Lampião e Maria Bonita'', que acaba de ser lançado pela Editora Ática com ilustrações de Rosinha Campos. Trata-se do último livro criado por Liliana, falecida em dezembro de 2004.
O tema é complexo. Envolve uma violência que algumas vezes aparece vestida com o manto da justiça e, outras vezes, com as roupas da crueldade. Tudo dentro de um contexto social determinado, de uma cultura particular e uma situação geográfica específica.
''Lampião e Maria Bonita'' apresenta a história real dos dois principais personagens do cangaço a partir de várias vozes, vários pontos de vista. Isso faz com que o assunto fique entre o ''bem'' e o ''mal'', deixando ao leitor a possibilidade de escolha.
O livro conta a história de um jovem rebelde. Um bom garoto chamado Virgulino, que trabalhava na roça ajudando o pai. Até que um belo dia o fazendeiro vizinho resolve roubar o gado e os bodes de sua família.
Para reaver os animais, Virgulino entra numa briga que acaba com a morte do pai e de alguns irmãos. Revoltado e ameaçado de morte, o garoto se refugia no sertão é adotado por um bando de cangaceiros.
Pela sua coragem e rapidez do gatilho, recebe o apelido de Lampião. Em pouco tempo torna-se o chefe do bando. Torna-se um lenda vida, um ''bandido'' que inspira, ao mesmo tempo, pavor e gratidão, ódio e lealdade.
A leitura de ''Lampião e Maria Bonita'' pode dar origem a uma discussão interessante. Uma comparação entre o cangaço sertanejo do passado e as formas de violências urbanas de hoje. Situações que envolvem coisas como vingança, riqueza, justiça, honra, miséria, cultura, sobrevivência, poder, violência, valores morais, interesses particulares e muito mais.

Serviço:
- Livro ''Lampião e Maria Bonita - O Rei e a Rainha do Cangaço'', de Liliana Iacocca, ilustrações de Rosinha Campos, Editora Ática, 64 páginas, R$ 19,90.

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