Nos contos de fadas, todas as princesas são bonitinhas, simpáticas e elegantes. Os príncipes são todos lindinhos, fofos e cheirosinhos. E no final da história, com tudo certinho, vivem felizes para sempre.
Mas o que aconteceria se, nos contos de fadas, as princesas fossem feias, sebentas e antipáticas? O que aconteceria se os príncipes fossem nojentos, fedidos e mal-encarados?
Era o que pensava o escritor norte-americano William Steig quando criou um livro chamado ''Shrek!''. Afinal, não existe nenhuma lei exigindo que príncipes e princesas precisem necessariamente ser fofinhos, lindos e maravilhosos.
William Steig criou ''Shrek!'' quando tinha 80 anos de idade, duas décadas atrás. Além de criar a história, também realizou as ilustrações. Lançado pela Editora Companhia das Letras, o livro não é tão conhecido como o desenho animado em exibição nos cinemas.
Se, por acaso, você assistiu ao filme, seja o primeiro, o segundo ou o terceiro, é bom avisar que o livro é completamente diferente. Serviu apenas de inspiração para criadores dos filmes. Os personagens são os mesmos, mas a história narrada está repleta de diferenças.
''Shrek!'', o livro, conta a história de um monstro mais feio do que sapo do avesso. Mais nojento que cobra vomitando. Sua mãe era horrorosa, o pai pavoroso. Shrek nasceu mais feio que os dois juntos. Tinha vários poderes, como conseguir cuspir fogo pela boca e soltar um destrutivo raio pelos olhos. Além de soltar fumaça pelas orelhas e peidos atômicos.
Quando Shrek ficou grandinho, foi expulso de casa e passou a perambular pelo mundo. Precisava seguir sua própria vida, encontrar seu lugar. Certo dia, em suas andanças, encontrou uma bruxa que previa o futuro. Nas palavras da bruxa, o destino de Shrek estava traçado: ele se casaria com uma princesa horrorosa, tão feia quanto ele. Mas, para isso, teria que passar desafios e provações.
Feliz em saber que poderia se casar com uma princesa feia e fedida, Shrek seguiu as recomendações da bruxa. Em suas provações teria que lutar com dragões, vencer cavaleiros armados e enfrentar terríveis espelhos.
Quando finalmente encontrou a princesa, as primeiras palavras de Shrek foram emocionantes: ''Tuas verrugas cascudas, tuas espinhas sebentas, me encantam mais que as poças mais lamacentas.'' A moça, por sua vez, não deixou por menos e completou: ''Tua cabeça pontuda e teu nariz melequento me enfeitiçam mais que o sapo mais purulento.''
O diálogo seguiu em frente. Para terminar o papo, Shrek foi direto ao assunto: ''Oh, que horrorosa tu és, com os teus lábios azuis, teus olhos inchados parecem cheios de pus! Tu já sabes que te amo e sabes até por quê, é que não há neste mundo princesa mais feia que vosmecê!'' A princesa também não perdeu tempo: ''Teu nariz é tão peludo, como tu és bexiguento! A nossa história tem tudo para acabar em casamento!''
Assim, os dois se casaram e viveram feios e felizes para sempre. O resto é lenda e coisa de cinema.

Serviço:''Shrek!'', texto e ilustrações de William Steig. Editora Companhia das Letrinhas, tradução de Eduardo Brandão, 32 páginas, R$ 29,00.

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