Quem tem tudo pode perder muito.
Quem tem pouco pode perder tudo.
Não se trata de matemática, mas de como o valor das coisas se transforma dependendo da situação.
Para um cachorro de barriga cheia, um osso é apenas resto. Para um cachorro faminto, um osso é banquete.
O valor relativo das coisas pode ser percebido entre os dois extremos de uma sociedade, a riqueza e a pobreza.
Em "O Carrinho da Madame Miséria", livro infantojuvenil da ilustradora francesa Lise Mélinand lançado pela editora Cosac Naify, o juízo de valor ganha contorno na figura dos moradores de rua. Pessoas invisíveis que possuem muito pouco. Quase nada.
A obra narra história de uma moradora de rua que vaga pela cidade arrastando suas tralhas. Num velho carrinho de feira, carrega objetos achados ao acaso. Um despertador quebrado, um molho de chaves, um punhado de botões, uma picareta, um cobertor rasgado e outras quinquilharias. Coisas sem valor para a maioria das pessoas.
Em sua miséria, ela sonha com as coisas que não tem. Coisas simples como alguém que a ame, um chapéu, um vestido florido, um passeio de balão. Mas quando, certo dia, seu carrinho e seus objetos desaparecem, tudo o que ela deseja é ter suas valiosas tranqueiras de volta.
Além de que falar sobre pessoas excluídas da sociedade, invisíveis aos olhos da cidade, "O Carrinho da Madame Miséria" mostra como o valor das coisas se alteram.
O pouco pode ser tudo.
O muito pode ser nada.

Serviço:
"O Carrinho da Madame Miséria"
Autor – Lise Mélinand
Editora – Cosac Naify
Tradução - Tales A. M, Ab’Sáber
Páginas – 32
Quanto – R$ 35

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