LEITURINHA - Peripécias da infância
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha 2 
Com certeza você conhece a história de Pinóquio, aquele boneco de madeira que adorava contar mentiras. E a cada mentira, seu nariz crescia. A história de Pinóquio foi criada há mais de 100 anos por um escritor italiano chamado Carlo Collodi.
Embora seja mais conhecido como autor de ''Pinóquio'', Carlo Collodi - cujo nome verdadeiro era Carlo Lorenzini - escreveu dezenas de histórias para crianças. Algumas delas estão reunidas em ''Histórias Alegres'', obra que acaba de ser publicada pela Editora Iluminuras. São oito contos bem-humorados que sempre trazem alguma moral educativa em seu conteúdo.
Quase todos os contos são protagonizados por garotos entre oito e dez anos de idade. São meninos que passam por diversas situações complicadas por desejarem ser mais do que realmente são. Precisam, por experiência própria, viver problemas e dificuldades para beberem algumas gotas de bom senso.
''Quem Não Tem Coragem Não Vai Para a Guerra'' conta a história de um garoto metido a corajoso que é capaz de inusitadas artimanhas para manter sua fama de mau. Mas no fundo ele tem tanto medo quanto todas as outras crianças.
Em ''O Homenzinho Precoce, ou Seja: A História de Todos Aqueles Meninos Que Querem Parecer Homens Antes do Tempo'', Collodi narra as peripécias de um garoto que não deseja ser mais criança imitando o comportamento dos adultos. Após várias tentativas ridículas, ele aprende a não bancar o bobão e ser aquilo que é.
O conto ''O Pequeno Advogado Defensor dos Meninos Preguiçosos e Sem Orgulho'' é o mais engraçado do livro. Conta a história de Masinho, um garoto que tinha todos os ''defeitos'' de sua idade: ''desobediente, guloso, preguiçoso, dorminhoco, inimigo da água para lavar as mãos e o rosto, coberto de manchas e rasgões em todas roupas que vestia, vendedor de mentiras no atacado e no varejo, tagarela, impertinente, respondão e implacável adversário dos livros e da escola.''
Com esse currículo, Masinho resolve escrever um documento apontando como que os adultos deveriam agir com as crianças, principalmente pais e professores. Coisas como as mães deixarem os filhos dormirem até mais tarde e faltar na aula, os pais defendendo que os filhos não façam tarefa, professores dando dez aos alunos que erram todas as questões das provas e assim por diante. Mas nem tudo sai como ele imagina.
Concluindo ''Histórias Alegres'', Carlo Collodi conta suas memórias da infância, suas lembranças da escola como o maior bagunceiro da sala. Após várias lições amargas, finalmente entende que deve se comportar melhor. Esse aprendizado é transferido para suas histórias contornadas pela moral e pelo riso.
Serviço:
- Livro ''Histórias Alegres'', de Carlo Collodi. Editora Iluminuras, tradução de Gabriella Rinaldi, apresentação de Silvia Oberg, 128 páginas, R$ 27,00.


