LEITURINHA - Pequeno herói
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Ele era o caçula da família. Com vários irmãos, geralmente era o último a falar e o primeiro a apanhar. A situação se complicava por ser baixinho, quietinho e fraquinho. Sempre tinha alguém dando um cascudo em sua cabeça. Era o saco de pancada da casa.
Quando nasceu, recebeu o nome de Polegar. Era um autêntico tampinha de garrafa. Sétimo filho de humildes camponeses, nasceu pequenininho e pouco cresceu ao longo da infância. Mas se seu tamanho era reduzido, sua esperteza era gigante.
''O Pequeno Polegar'' é um dos mais famosos contos de fadas criado pelo escritor francês Charles Perrault (1628 - 1703). Foi escrito há mais de 300 anos e ganhou dezenas de versões e adaptações ao longo do tempo. A edição do texto original de Perrault está sendo relançado pela editora Companhia das Letrinhas com ilustrações de Clotilde Perrin.
A clássica história tem início quando os pais de Polegar, diante da pobreza e da falta de comida, resolvem abandonar os sete filhos no meio da floresta durante um passeio. Uma crueldade que seria realizada em segredo.
Percebendo o plano dos pais, Polegar resolve jogar algumas pedrinhas para marcar o caminho. Seguindo as pedrinhas, poderia, junto com os irmãos, encontrar o caminho de volta para casa.
A estratégia dá certo. Abandonadas na floresta, as crianças conseguem encontrar o caminho de casa. O drama é que os pais repetem o plano. Nessa segunda vez, em vez de jogar pedrinhas, Polegar joga migalhas de pão. Claro que os passarinhos devoram todos os pedacinhos de pão e situação fica complicada.
Você deve estar pensando que já viu essa história antes. Com razão. Algo bem parecido foi utilizado pelos Irmãos Grimm no também famoso conto de fadas ''João e Maria''. As semelhanças das duas histórias se estendem até Polegar e seus irmãos, perdidos, encontrarem uma cabana no meio da floresta. Nas não se trata de nenhuma casinha de doces e balas, mas a residência de um malvado Ogro. Assim como a Bruxa de ''João e Maria'', ele adora comer criançinhas gordinhas mal passadas.
Para salvar a própria pele e a dos irmãos, Polegar desenvolve uma série de ações pautadas pela inteligência. Graças à esperteza, consegue vencer o horrível Ogro e ainda sair com um punhado de dinheiro nos bolsos.
A moral da história de Charles Perrault é simples: Em algumas situações, quem salva a pátria não é o grandão, fortão e desinibido. É justamente o baixinho, quietinho e fraquinho. O tampinha de garrafa.
Serviço
- O Pequeno Polegar
Autor - Charles Perrault
Ilustrações - Clotilde Perrin
Editora - Companhia das Letrinhas
Tradução - Rosa Freire d'Aguiar
Apresentação - Tatiana Belinky
Quanto - R$ 36 (pág.40)


