LEITURINHA - O ouro da lembrança
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha 2 
Muita gente já imaginou o que acontece depois do ponto final dos clássicos contos de fadas. Aquilo que acontece após a última e derradeira frase e viveram felizes para sempre. O escritor paulista Pedro Bandeira está entre as pessoas que colocaram a imaginação para viajar nesse sentido.
Em seu livro infanto-juvenil O Fantástico Mistério de Feiurinha, publicado originalmente em 1986, Pedro Bandeira apresenta Branca de Neve com seis filhos e grávida do sétimo. Cada criança tendo como padrinho de batismo um dos Sete Anões.
Cinderela, Bela Adormecida, Rapunzel, Borralheira e outras princesas aparecem como donas de casa, cada uma com seus problemas cotidianos e um punhado de filhos. Chapeuzinho Vermelho surge como a única solteirona. Aquela que sobreviveu ao Lobo Mau, mas não encontrou nenhum príncipe encantado pelo caminho.
Relançado pela editora Moderna - que começa a reeditar toda a obra de Pedro Bandeira -, O Fantástico Mistério de Feiurinha é uma bem humorada aventura pelo universo dos contos de fadas. As princesas, destinadas a viverem felizes para sempre, invadem o mundo real em busca de ajuda. Buscam o auxílio de um escritor que consiga impedir que o universo dos contos de fadas deixe de existir.
O objetivo das personagens fantásticas é resgatar a história de uma princesa chamada Feiurinha, personagem que ninguém se lembra mais. Um conto de fadas que corre o sério risco de extinção. Um conto que não foi registrado em livros, que permanece vivo apenas de boca em boca através da tradição oral.
A grande heroína de O Fantástico Mistério de Feiurinha é uma velha e humilde cozinheira, a única que se lembra da história contada pela avó durante a infância. O conto de uma moça aparentemente feia, que vive na residência de um punhado de bruxas malvadas.
Ao mesmo tempo em que Pedro Bandeira realiza uma releitura dos contos de fadas, aponta para o sentido que essas histórias possuem no imaginário coletivo. E relembra que a memória pode ser maior que os livros.


