LEITURINHA - O herói do papel
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de março de 2006
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Geralmente os heróis empunham espadas e escudos. Ou mesmo outros tipos de arma para vencer o inimigo. Mas existem também heróis que não empunham espadas ou qualquer outro tipo de arma. São pessoas que não estão interessadas em batalhas ou disputas. São heróis que não fazem uso da força, mas da beleza e do encantamento. A história de um desse tipo de herói aparece em ''A Dobradura do Samurai'', livro infanto-juvenil escrito por Ilan Brenman e ilustrado por Fernando Vilela.
Lançado pela Editora Companhia das Letrinhas, narra trajetória do menino Mitio, filho de um famoso samurai (antigo guerreiro da tradição japonesa). Quando garoto, Mitio não se interessava pelas espadas e técnicas de luta do pai. O que mais gostava era ver o pai construir origamis (arte japonesa da dobradura de papéis). Dobrando papel, o samurai criava pássaros, animais, peixes, flores e muito mais. Peças que encantavam crianças e adultos. Mitio ficava encantado com as formas construídas pelo pai.
Mitio poderia seguir o mesmo caminho do pai, tornar-se um guerreiro samurai, um mestre da espada enfrentando guerras e batalhas. Mas fez outra escolha. Seu coração estava na pacífica criação de origamis.
Na época, papel era algo raro e caro. Um objeto que ficava longe do alcance das crianças. Mitio teve que ter muita paciência. Só depois de adulto conseguiu colocar as mãos numa folha de papel e aprender a arte da dobradura.
Com o passar dos anos, Mitio tornou-se um mestre. Do papel. Do mesmo modo como o pai era um mestre. Da guerra.
Mitio transformou-se em um herói da beleza e do encantamento. Em suas mãos o papel ganhava vida, as dobraduras pareciam vivas. Um herói longe das batalhas e disputas.
Serviço:
- ''A Dobradura do Samurai'', texto de Ian Brenman, ilustrações de Fernando Vilela, Editora Companhia das Letrinhas, 46 páginas, R$ 29,00.


