Você conseguiria colocar toda a vida de um homem, da infância à velhice, num fio de lã? Pode parecer algo completamente impossível, coisa complicada. Pode parecer difícil, mas não impossível.
O escritor suíço Davide Cali e o ilustrador francês Serge Bloch conseguiram realizar tal façanha com total simplicidade em ''Fico à Espera...'', livro lançado pela Editora Cosac Naify. Com um fio de lã vermelho e o mínimo de texto, a obra consegue narrar a história de toda uma existência.
''Fico à Espera...'' apresenta breves episódios que quase todo mundo encontra ao longo da vida. Episódios que todos esperam viver, uma hora ou outra. Na infância, por exemplo, esperar o beijinho de boa noite. Ou esperar que o bolo que sua mãe colocou no forno fique logo pronto.
Quando alguém que você gosta fica doente, ou quebra o braço, esperar que a pessoa volte a ter saúde o mais rápido possível. Quando seu cachorrinho de estimação desaparece na rua, esperar que ele encontre rapidamente o caminho de casa.
Depois de um tempo você começa a esperar que a garota, ou o garoto, que você está apaixonado, também se apaixone por você. E assim aparecem os filhos e logo você está esperando que as crianças fiquem logo de férias. Depois espera que voltem cedo para casa. Em seguida que elas, que não são mais crianças, coloquem nos seus braços um neto.
''Fico à Espera...'' segue o caminho natural da existência, onde tanto as alegrias como as tristezas são inevitáveis. Revela que tudo aquilo que cabe dentro da vida, do nascimento à morte, pode ser encarado com naturalidade. Acompanhado com uma saudável boa dose de simplicidade.
No livro, o fio condutor da narrativa assume a forma gráfica de uma linha de lã. Um fio que se enrola e se desenrola, dependendo da situação descrita. Sugere que apenas somos capazes de enrolar o novelo todo no final da vida. No início da vida, ou no decorrer dela, tudo o que temos a fazer é desenrolar o novelo. Soltar o fio. Dar linha.

Serviço:
- Livro ''Fico à Espera...'', texto de Davide Cali, ilustrações de Serge Bloch. Editora Cosac Naify, tradução de Marcos Siscar, 54 páginas, capa dura, R$ 35,00.

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