No princípio havia apenas o dia. A noite não existia. O sol brilhava o tempo todo e ninguém conhecia a escuridão da noite.
Um belo dia surgiu na tribo uma moça dizendo que vinha de um lugar onde não existia apenas o dia, existia também a noite.
Ela afirmava que a noite era linda, repleta de estrelas. A noite também era boa para dormir e ótima para contar histórias.
Muita gente ficou curiosa com aquela notícia inesperada. Desejando conhecer a escuridão, organizaram uma expedição para encontrar a noite.
Após muito caminhar e enfrentar vários desafios, a expedição encontrou a noite. E se apaixonou por ela. Queria que todos conhecessem a beleza da escuridão da noite.
Dentro de uma cabaça, levaram um pouco da noite para espalhar pelo mundo. Mas, por um descuido, a cabaça foi aberta de maneira errada e transformou tudo em trevas impenetráveis.
A solução do problema veio através de linda indígena que varreu a escuridão com uma pena de arara. Recolheu o excesso de escuridão com a pena, fez surgir as estrelas. E criou o melhor momento para contar histórias.
Essa poética lenda dos indígenas kayapós sobre a origem da noite integra "Vou Lá Buscar a Noite e Já Volto", livro infantil da pesquisadora Susana Ventura lançado pela editora Berlendis & Vertecchia com ilustrações de Vanina Starkoff.
A obra infantojuvenil reúne dez lendas do povo kayapó recontados pela autora. São histórias que narram mitologicamente a origem da noite, a conquista do fogo, o nascimento do jacaré, a descoberta de alimentos como o milho, a mandioca e inhame. O começo das coisas sem começo.
As tribos dos kaiapós (também grafada como caiapós) estão espalhadas na região entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso. Uma das mais famosas lendas desta etnia é aquela que fala do tempo em que homens e animais falavam a mesma língua.
Bastava um caçador, no meio da floresta, gritar algo como "ei anta, onde você está?" que logo em seguida uma anta berrava algo como "estou aqui, atrás do jatobá".
Diante da facilidade em serem mortos, os bichos resolveram falar outras línguas. E cada espécie animal desenvolveu uma língua própria para não serem caçados com facilidade pelos homens.

Serviço:
"Vou Lá Buscar a Noite e Já Volto"
Autor – Susana Ventura
Ilustrações – Vanina Starkoff
Editora – Berlendis & Vertecchia
Páginas – 48
Quanto – R$ 42

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