Toda escola tem um chato. Todo bairro tem um chato. Todo prédio tem um chato.
Os problemas começam quando esse chato, além de chato, é carregado de maldade. O cara que arruma confusão por nada, maltrata os menores, sempre acha que está certo, coloca a culpa sempre no outro, quer mandar em todo mundo, intimida as meninas, briga com árvore, gato, papagaio e outras coisas mais.
Em ''O Pequeno Fascista'', o escritor paulista Fernando Bonassi conta a história de um chato desse tipo. Trata-se de um moleque briguento que criou seus próprios ''10 Mandamentos''.
Quer saber quais eram? Lá vai: ''1) Só eu interesso. 2) Na dúvida, o melhor é fingir de morto. 3) Na ignorância, o melhor é dar porrada. 4) Se eu não quero, por que alguém há de querer? 5) Primeiro eu. 6) Eu, logo em seguida também. 7) Eu sou o ótimo. 8) Os outros que se danem. 9) Os outros que se danem mesmo. 10) O pequeno fascista não dá abraço ou aperta a mão: dá banana!''
Em outras palavras, um verdadeiro ''mala sem alça'' que achava que o mundo era dele. Já na barriga na mãe, agia como um tirano. Na família todas suas vontades tinham que ser satisfeitas. Na escola arrumava todo tipo de confusão e colocava a culpa em alguém.
Preconceituoso, espancava e humilhava sem arrependimento. Na turma agia como chefe de gangue. Enfim, um idiota que o autor nomeia de ''fascistinha'' (fascista é um termo político utilizado para designar pessoas que defendem práticas anti-democráticas).
Em ''O Pequeno Fascista'', Fernando Bonassi aborda um tema complicado e polêmico, capaz de dar origem a montanhas de discussões. O livro, com belas ilustrações de Daniel Bueno, apresenta um lado nada simpático da infância.
Crianças não são necessariamente bonitinhas, boazinhas e fofinhas. Elas também podem ser preconceituosas, malvadas, violentas, egoístas, idiotas, mesquinhas e uma infinidade de outras qualidades nada agradáveis.
Na realidade, e isso pode gerar uma série de reflexões, ''O Pequeno Fascista'' narra a história de menino com grandes dificuldades de relacionamento íntimo e social. Por não conseguir superar essa dificuldade, e por não receber nenhum tipo ajuda adequada, torna-se um chato perigoso. Não muito diferente de um punhado de adultos que andam por aí.

Serviço:
- ''O Pequeno Facista'' de Fernando Bonassi, ilustrações de Daniel Bueno, Editora Cosac Naify, 54 páginas, R$ 25,00.

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