LEITURINHA - O capetinha de asas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Marcos Losnak<br> Especial para a Folha2 
Os diabinhos são capazes de tudo. Até achar o inferno um lugar chato, monótono e sem graça. São capazes de abandona as profundezas do inferno para perturbar homens e mulheres.
No dia a dia, esses diabinhos adoram pequenas maldades. Coisas como esconder as chaves da casa, desaparecer com o cadarço do tênis, entupir a pia do banheiro, soltar o cachorro dentro de casa em dia de chuva, tirar a chupeta do bebê no meio da noite, molhar o último palito da caixa de fósforo, queimar o chuveiro no meio de um banho em pleno inverno e muito mais.
No livro infantil ''Diabolim'', relançado pela editora Martins Fontes, o escritor e ilustrador alemão Helme Heine apresenta as aventuras de um desses diabinhos, o pequeno Diabolim. Na realidade, as travessuras do pequeno capetinha não era maldade pura e simples. Eram, na verdade, uma maneira de chamar a atenção das pessoas. No fundo, o diabinho gostaria de atenção, desejava ser amado por todos. Receber um cafuné com carinho.
Diabolim achava injusto todo mundo gostar dos anjinhos e odiar os diabinhos. Ele até acreditava que, se vestisse como os anjos, a pessoas poderiam amá-lo. Certo dia chegou a se fantasiar de anjo, mas o resultado foi terrível. Sem jeito para a coisa, ele só piorou a situação.
Todas suas tentativas em ser compreendido e amado acabaram dando em nada. Chegou até mesmo a entortar as pontas de seu tridente. Mas ninguém acreditava que um diabinho pudesse ser uma gente boa.
Sua grande chance apareceu no dia em que encontrou em seu caminho uma casa pegando fogo. Justamente no dia em que os anjinhos estavam de folga, jogando bola na praia. Sem pensar duas vezes, Diabolim deixou o tridente de lado e fez a coisa certa.
Tornou-se um verdadeiro herói. Deu entrevista na televisão, sua foto saiu no jornal, recebeu uma medalha de honra ao mérito, foi convidado para festas e brincadeiras. Arrumou até um bom emprego como bombeiro. Claro que, nas horas vagas, continuou fazendo suas pequenas travessuras. Coisas de capetinha, nada muito sério.
Em ''Diabolim'', Helme Heire mostra que todo mundo deseja ser tratado com carinho. Revela que, no fundo, todo mundo deseja ser amado. Até mesmo os diabinhos. Até os capetinhas mais encardidos.
SERVIÇO
- Diabolim
Autor - Helme Heine
Editora - Martins Fontes
Tradução - Monica Stahel
Páginas - 36
Quanto - R$ 26


