LEITURINHA - O belo feioso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de maio de 2007
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha2 
Existe um monte histórias com gente bonita. Todas repletas de princesas maravilhosas e príncipes bonitões. Mas também existe um punhado de histórias de gente feia. Todas povoadas por corcundas, ogros cascudos e patinhos horrorosos.
Nessas histórias de gente feia, em algum momento surge uma beleza oculta. Como se ela sempre estivesse ali, escondida, esperando para ser revelada. O Mago, o Horrível e o Livro de Feitiçaria é uma história assim, onde a beleza pode ser encontrada no interior da aparente feiúra.
Lançado pela Editora Girafinha, O Mago, o Horrível e o Livro de Feitiçaria narra a história de um sujeito chamado Horrível. O nome já diz tudo, trata-se de alguém feio e estranho com cara de quem chupou limão.
Trabalhando como ajudante do poderoso mago Leitmeritz, Horrível assiste todos os dia a seu chefe resolver problemas de todo mundo, seja dragões, sapos, reis ou donzelas. E vive pedindo para que o mago solucione seu problema, que transforma sua feiúra em beleza.
Mas o grande mago, não se cansa de repetir que o problema de Horrível não pode ser resolvido com magia. Afirma que se trata do tipo de coisa que Horrível precisa resolver com ele mesmo. Algo difícil dele entender.
Um belo dia, na ausência do mago, Horrível abre o grande livro de magia. Procurando uma solução para sua feiúra, provoca a maior confusão. Envergonhado, varre as conseqüência do ato para debaixo do tapete. Escondendo a verdade de Leitmeritz, gera confusões sobre confusões.
Você pode estar achando o enredo parecido com o criado pelo escritor alemão J. W. Goethe no clássico O Aprendiz de Feiticeiro. E com razão, as duas histórias possuem muitas semelhanças. A diferença está em Pablo Bernasconi criar, acompanhada de belas ilustrações, novas soluções para a história.
Em O Mago, o Horrível e o Livro de Feitiçaria, o feioso descobre que a timidez pode ser um problema criado pelas artimanhas do espelho. Que não é nenhuma maquiagem que constrói a beleza. Basta soltar a beleza aprisiona em algum lugar, lá dentro da aparente feiúra. Coisas simples. Coisas como um gostoso sorriso.


