LEITURINHA - O beija-flor das borboletas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de agosto de 2016
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha2 


Existem mais de duas mil línguas ameaçadas de extinção em todo o mundo. Uma delas é a língua maraguá, falada pelos indígenas da etnia maraguá que vivem no vale do rio Abacaxis no estado do Amazonas.
Uma das características da língua está na total ausência das consoantes "f", "q" e "v". Outra característica está no grande número de grande de palavras com as consoantes "g", "p" e "r".
Até alguns anos atrás apenas pouco mais de dez pessoas falavam o maraguá. Todos idosos que habitavam as quatro aldeias às margens do rio Abacaxis.
A situação começou a ser revertida com um projeto desenvolvido por professores nativos, que passaram a ensinar às crianças das escolas da região a língua maraguá da qual apenas os idosos se lembravam.
O livro bilíngue (português-maraguá) "A Origem do Beija-Flor", de autoria do educador Yaguatê Yamã, integra as iniciativas de salvar a língua da extinção. Lançado pela editora Peirópolis, a obra infantil traz o tradicional mito dos indígenas maraguás sobre o surgimento do beija-flor.
A narrativa traz a história de Potyra, uma menina que ao perder a mãe entra num mundo de tristezas. A garota perde a vontade de viver. Deixa de comer, deixa de brincar e definha até a morte. Para permanecer próxima da mãe, a alma de Potyra se instala numa flor plantada ao lado da sepultura.
Em sua mitologia, os maraguás acreditam que quando morrem, a alma das pessoas se transformam em borboleta. Assim a alma da mãe transformada em borboleta, voando de flor em flor, reconhece a alma da filha presa dentro da flor próxima à sepultura.
Na missão de libertar Potyra, a mãe se transforma num pássaro colorido de bico fino e comprido. Com o bico, resgata a alma da filha de dentro da flor. Um pássaro que hoje conhecemos como beija-flor.
Serviço:
A Origem do Beija-Flor
Autor Yaguarê Yamã
Ilustrações Taisa Borges
Editora Peirópolis
Páginas 36
Quanto R$ 28


