No período de Natal é possível tropeçar, em cada esquina, em uma árvore cheia de luzinhas. Em cada vitrine, dar de cara com um Papai Noel de barba de algodão. Em cada estante, trombar com um livro de histórias de natalinas cobertas com calda de açúcar.
''Conto de Natal de Auggie Wren'', obra do escritor norte-americano Paul Auster lançado pela editora Cia. Das Letras, foge desse padrão. Não possui nenhuma árvore com luzinhas, nem bons velhinhos de barbas de algodão, muitos menos histórias açucaradas.
Tudo começa quando Paul Auster recebe a incumbência de escrever um conto de Natal para o jornal. Como não queria criar uma história sentimentalista como as usuais, e não tinha nenhuma ideia na cabeça, resolve coletar alguma coisa pelas ruas.
De Auggie, balconista de uma tabacaria, ouve uma história de Natal fora do comum. Muito diferente de todas as outras. Uma história onde a relatividade do bom e mau, do certo e errado, oferece uma leitura mais ampla da vida.
Na narrativa do Auggie, após um assalto, durante a fuga do ladrão, ele encontra no chão a carteira do larápio com documento e endereço. Na véspera do Natal, o balconista decide devolver a carteira ao dono azarado.
Quem abre a porta do apartamento é uma velha que, por ser cega, confunde Auggie com seu neto desaparecido. Num impulso inesperado, em vez de dizer a verdade, adentra no campo da mentira. Se fazendo passar pelo neto, vive uma solidária e improvisada ceia de Natal ao lado da velha solitária.
A obra levanta questões sutis difíceis de serem assimiladas quando encaradas longe da relatividade. De um lado, situações onde uma má ação pode gerar algo bom. De outro, situações onde uma boa ação pode geral algo ruim. Uma maneira de embaralhar valores para que as descobertas revelem visões, não certezas.
''Conto de Natal de Auggie Wren'' foi publicado originalmente no jornal New York Times em 1990 e deu origem ao filme ''Cortina de Fumaça - Sem Fôlego'' (1995). No filme, a história narrada por Auggie aparece em meio a várias outras de pessoas que se cruzam e se distanciam no ritmo das cidades.
Voltada ao público jovem, o livro oferece uma nova abordagem dos contos de Natal, gênero literário repleto de árvores com luzinhas e velhinhos de barba de algodão. A fantasia aparece apenas guardada nas gavetas das lembranças da infância.

Serviço:
- Conto de Natal de Auggie Wren
Autor - Paul Auster
Ilustrações - Isol
Editora - Cia. Das Letras
Tradução - Rubens Figueiredo
Páginas - 50 (capa dura)

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