LEITURINHA - Lambida de cachorro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Marcos Losnak<br>Especial para a Folha2 
Cachorro tem em todo lugar. Nas ruas, nos apartamentos, nas igrejas, nos campos de futebol, nas casas, nos sítios, nas praças, em todo lugar. Na residência de Bruno também. Lá havia o Kevin, um pacato vira-lata. Havia também a esposa de Bruno e seus dois filhos.
Kevin gostava de todos eles, mas tinha uma adoração especial por Bruno. Para o cão, Bruno era uma espécie de deus. Fazia de tudo para chamar sua atenção, abanava o rabo, rolava no chão, plantava bananeira, mordia a geladeira. Mas o sujeito passava por Kevin como se ele não existisse. Desprezo total. O máximo que conseguia fazer, sem querer, era pisar no rabo do cachorro.
A história de Kevin é contada pelo escritor e ilustrador inglês Colin Thompson em ''Às Vezes o Amor Está Onde Menos se Espera'', obra infanto-juvenil lançada pela editora Brinque-Book. Trata-se de uma história de amor onde as palavras não dizem o mais importante. Uma história onde os gestos dizem muito mais.
Certo dia, Bruno fica muito doente. A partir dessa experiência, sua relação com o cão sofre uma transformação. O desprezo se converte em atenção. Kevin se torna o companheiro ideal para os sentimentos que percorrem Bruno. Tudo sem o uso da palavra, sem nenhum latido. Tudo pela simples e calorosa proximidade.
É curioso como certas coisas que conseguimos perceber com os animais domésticos não conseguimos perceber com as pessoas. A história de Colin Thompson toca nesse assunto. Como também revela que o amor pode ser manifesto em pequenos gestos, pode estar em pequenos detalhes, em coisas que geralmente passam despercebidas. Coisas que não precisam de grandes verbos ou enormes adjetivo. Sentimentos que se manifestam sem palavras.
Cachorro tem em todo lugar. Em algumas situações nem percebemos a presença deles. Nas ruas, nos apartamentos, nas igrejas, nos campos de futebol, nas casas, nas praças, em todo lugar. O mesmo pode acontece com as pessoas. Elas estão em todo lugar, próximas de nós. Em algumas situações nem percebemos a presença delas.


